Solução para Novo Banco pode não passar por retificativo
OE2021
3 de dez. de 2020, 17:28
— Lusa/AO Online
"Se
houver, por intervenção dos tribunais, uma decisão de que Portugal tem
de cumprir o contrato, no quadro do orçamento do ano 2021, Portugal
encontrará a capacidade para executar, sem necessariamente ter que
passar por um retificativo", disse hoje aos jornalistas João Leão.O
governante português, que falava ladeado pelo ministro francês da
Economia, Finanças e da Recuperação, Bruno Le Maire, após uma reunião
entre ambos, acrescentou ainda que "na altura certa" será tomada "a
solução adequada", sem detalhar hipóteses concretas. "Nós
tranquilizámos as entidades europeias de que vamos conseguir fazer com
que o Estado português honre os compromissos e o contrato que assinou, e
desta forma conseguimos evitar que se crie instabilidade", disse João
Leão.Segundo o ministro, "tudo será resolvido no próximo ano e Portugal honrará os seus compromissos e os contratos que assinou".Já
acerca do Orçamento do Estado para 2021, João Leão considerou
satisfatório caso o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa,
não envie fiscalização de todo o documento ao Tribunal Constitucional."Coisa
diferente é se entendemos que aquela norma concreta [relativa ao Novo
Banco] suscita questões de constitucionalidade. São questões diferentes,
mas achamos que o orçamento, como um todo, não deve ser enviado, nesta
fase, para o Constitucional", aditou João Leão."É
importante termos o orçamento a funcionar no início do ano para nos dar
os instrumentos necessários para combater a crise económica", concluiu.O
plenário do parlamento confirmou na semana passada a votação na
especialidade da proposta orçamental do BE que anula a transferência de
476 milhões de euros do Fundo de Resolução para o Novo Banco. Numa
votação confusa e que teve de ser repetida, depois de avocada e
debatida no plenário, PSD, PCP, PEV, Chega e a deputada não inscrita
Joacine Katar Moreira juntaram os seus votos ao BE para viabilizar esta
alteração, apesar dos votos contra de PS, Iniciativa Liberal e da
deputada não inscrita Cristina Rodrigues, e da abstenção do CDS-PP e do
PAN.O ministro de Estado e das Finanças,
João Leão, já tinha admitido, em declarações à Rádio Renascença e à RTP,
que o Governo pode recorrer ao Tribunal Constitucional para analisar a
proposta.No parlamento, João Leão disse
ainda que a proposta de anular a transferência para o Novo Banco "viola a
Lei de Enquadramento Orçamental, que obriga o Estado a orçamentar os
compromissos assumidos".