Sócrates garante que não se desfiliou do PS para o atacar
20 de mai. de 2018, 21:34
— Lusa/AO Online
Num almoço de
apoio, com cerca de 100 pessoas, em Lisboa, o antigo secretário-geral
"rosa" afirmou que o recente pedido de desvinculação, justificado para
evitar o "embaraço mútuo" devido às acusações de corrupção que sobre ele
recaem, foi "um ato doloroso do ponto de vista pessoal". "Não
desejo fazer nenhum comentário mais sobre o assunto, mas se a alguém
passou pela cabeça que eu ia agora começar a atacar o PS ou ferir a
sensibilidade dos militantes socialistas que vão agora disputar o seu
congresso, estão muito enganados. Nunca faria isso. Tenho grande afeto e
ligação emotiva muito forte e tenho por eles o maior respeito", disse. O
antigo secretário-geral socialista reiterou o desejo de continuar a
fazer a sua defesa nos casos judiciais em que está envolvido e,
sobretudo, "denunciar os abusos" de que se diz vítima por parte da
Justiça, nomeadamente o Ministério Público, e da "direita que o nomeou" e
cuja "única agenda política" é "atacar a governação Sócrates" e as
"suas bandeiras políticas" através de via judicial, ou seja:
"criminalizar uma linha política com suspeitas e sem apresentar
quaisquer provas concretas". "Manuel
Pinho trabalhava com o PS muito antes de eu ser secretário-geral. O que
lamento é que ninguém tenha vindo dizer que foi isso que se passou.
Muita gente que sabe que isto não aconteceu, que conhece a história,
ficou em silêncio este ano e meio", afirmou José Sócrates, citando o
exemplo do antigo ministro da Economia, que chegou a ser constituído
arguido, mas que na última semana deixou de o ser, no âmbito de um
processo relacionado com rendas energéticas. O
antigo líder socialista, ainda sobre aquele membro do seu Governo,
lembrou que Manuel Pinho trabalhava num grupo de economistas ligados ao
PS desde o tempo em que o atual presidente da Assembleia da República,
Ferro Rodrigues, era secretário-geral "rosa", aproveitando para
esclarecer o episódio no qual se conheceram, durante o Euro2004 de
futebol, apresentados pelo atual primeiro-ministro e líder do PS,
António Costa. "Não
é verdade, nunca estive em camarote nenhum do BES. Assisti a todos os
jogos a convite da Federação [Portuguesa de Futebol], nunca em camarote
nenhum. O que se pretende insinuar é que eu tinha uma qualquer relação
com o BES. Não tinha", assegurou, referindo-se à entrevista de Manuel
Pinho ao Expresso e sublinhando que o encontro com Pinho e Costa se deu
já à saída do Estádio da Luz. José
Sócrates reiterou que se trata de "pura infâmia" sugerir-se que era
próximo do antigo dirigente máximo do extinto grupo Espírito Santo,
Ricardo Salgado, também acusado de crimes económico-financeiros, pois
não havia "nenhuma relação social ou de amizade". "Nunca
aceitei dinheiro de um construtor com negócios com o Estado. Aceitei
ser ajudado por um amigo de há 40 anos. Essa ajuda foi dada dois anos
depois de eu sair do Governo. Não tinha funções políticas", referira
antes, num discurso para os seus apoiantes, sobre o caso Operação
Marquês e a relação com o empresário Carlos Santos Silva. José
Sócrates, único líder do PS a conseguir uma maioria absoluta, foi
primeiro-ministro entre 2005 e 2011 e enfrenta agora, tal como outros
arguidos, acusações do Ministério Público de diversos crimes
económico-financeiros, nomeadamente de corrupção, no âmbito de diversos
processos judiciais, tendo estado detido preventivamente entre 2014 e
2015. Um dos
fundadores do PS, António Campos, e o antigo ministro das Obras
Públicas, Transportes e Comunicações Mário Lino estiveram entre os
participantes no evento, organizado pelo movimento cívico 'José Sócrates
sempre', num restaurante do Parque das Nações, em Lisboa. O
antigo secretário de Estado das Obras Públicas Paulo Campos, também sob
a égide de Sócrates e filho de António Campos, juntou-se igualmente ao
repasto no qual todas as pessoas abordadas rejeitaram prestar quaisquer
declarações à comunicação social.