Sócrates diz ter 'smoking gun' para desmentir acusação
Operação Marquês
8 de jul. de 2025, 12:10
— Lusa/AO Online
Na
segunda sessão deste julgamento, e entre várias advertências da juíza
Susana Seca a José Sócrates e de vários comentários deste sobre a forma
como a sessão é conduzida, o antigo primeiro-ministro disse querer
começar por desmontar a acusação do Ministério Público relativamente à
OPA da Sonae sobre a PT, segundo a qual Ricardo Salgado, ex-presidente
do Banco Espírito Santo (BES), terá sido favorecido pelo antigo
primeiro-ministro socialista. “Eu vou
apresentar as provas. Esta acusação é falsa”, começou por dizer José
Sócrates, que acrescentou ter consigo três provas essenciais: a ata do
conselho de administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD) dias antes
da votação da OPA da Sonae, as declarações dos administradores da CGD
durante a comissão de inquérito no Parlamento e a prova a que chamou
‘prova rainha’ e ‘smoking gun’, que é o despacho do então secretário de
Estado das Finanças sobre a abstenção do Estado nesta matéria.“Está
aqui a prova rainha, a ‘smoking gun’, está aqui, senhora juíza. Está
aqui o despacho do senhor secretário de Estado das Finanças, assinado
três dias antes da assembleia geral [para votar a OPA da Sonae à PT],
confirmando a posição de abstenção do Governo”, explicou José Sócrates,
enquanto segurava o referido despacho, que disse estar assinado por
Carlos Costa Pina e que “foi escondido pelo Ministério Público”. Sobre
a ata do conselho de administração, José Sócrates quis dizer perante o
coletivo presidido pela juíza Susana Seca que “a Caixa Geral de
Depósitos, antes de votar na assembleia geral da PT, fez uma reunião do
seu conselho de administração”. “Está aqui
a ata. Uns dias antes, a Caixa reuniu o seu conselho de administração
[...] Este conjunto de pessoas discutiu e decidiu votar contra a OPA da
Sonae”, acrescentou, entre acusações feitas à juíza Susana Seca,
considerando que esta promove um “clima de hostilidade” neste
julgamento. Para demonstrar que não
manipulou o voto da CGD, o antigo primeiro-ministro quis ainda fazer
referência às declarações dos administradores do banco público durante a
comissão parlamentar de inquérito sobre o assunto. “Todos
eles, sem exceção, disseram não, não é verdade [que tenham sido
manipulados]. Tenho a prova testemunhal de todos os membros do conselho
de administração da CGD. Nenhum deles recebeu sugestões ou qualquer
sinal de que o Governo tivesse alguma interferência”, disse ainda. Onze
anos após a detenção de José Sócrates no aeroporto de Lisboa, arrancou
na passada quinta-feira o julgamento da Operação Marquês, que leva a
tribunal o ex-primeiro-ministro e mais 20 arguidos e conta com mais de
650 testemunhas. Estão em causa 117
crimes, incluindo corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal,
pelos quais serão julgados os 21 arguidos neste processo. Para já, estão
marcadas 53 sessões que se estendem até ao final deste ano, devendo no
futuro ser feita a marcação das seguintes e, durante este julgamento
serão ouvidas 225 testemunhas chamadas pelo Ministério Público e cerca
de 20 chamadas pela defesa de cada um dos 21 arguidos.