Sócrates diz ser absurda acusação de corrupção para deixar cair o TGV

Operação Marquês

15 de jul. de 2025, 11:44 — Lusa/AO Online

Em causa está uma alínea que previa que o vencedor do concurso para a construção do troço Poceirão-Caia da linha de alta velocidade, realizado há mais de 15 anos, fosse indemnizado caso o Tribunal de Contas chumbasse o projeto, como acabaria por acontecer.O grupo Lena era membro minoritário desse consórcio, que conseguiu o direito a ser indemnizado em mais de 150 milhões de euros.Para José Sócrates, entre "os cinco absurdos" desta acusação, está a alegação de o grupo Lena ter feito em 2007 "pagamentos corruptos de grande volume" para "um projeto que nunca existiu" e que "se destinavam a obter indemnizações do Estado que até hoje não foram pagas".A ideia de que o antigo primeiro-ministro (2005-2011) teria um "desejo secreto" de que o projeto do TGV - uma das bandeiras do seu Governo - não fosse concretizado é outro absurdo, assum como a existência de "uma conspiração" com um outro arguido afastado pelo seu Governo do projeto, ou a convicção de que foi uma empresa minoritária (e não o consórcio) a fazer os pagamentos e com o objetivo de perder o concurso."É já uma manobra de desespero [do Ministério Público]: não temos nada para acusar, vamos buscar uma alínea", defendeu, no quinto dia do julgamento da Operação Marquês e quarto de interrogatório, o ex-governante socialista, assegurando que só soube da existência da cláusula em 2017.José Sócrates acrescentou que a consequência da suspeita lançada pelo Ministério Público de que "o concurso foi manipulado" foi que, enquanto em Espanha se construíram 1.500 quilómetros de alta velocidade, em Portugal nada se fez.O antigo primeiro-ministro, de 67 anos, está pronunciado (acusado após instrução) de 22 crimes, incluindo três de corrupção por ter, alegadamente, recebido dinheiro para beneficiar em dossiês distintos o grupo Lena, o Grupo Espírito Santo (GES), e o empreendimento Vale do Lobo, no Algarve.O processo conta, no total, com 21 arguidos, que respondem globalmente por 117 crimes económico-financeiros.O julgamento começou em 03 de julho, no Tribunal Central Criminal de Lisboa, 11 anos depois de José Sócrates ter sido detido.Os arguidos têm, em geral, negado a prática de qualquer ilícito.