Sócrates diz nada saber sobre Vale do Lobo, ligado a alegada corrupção
Operação Marquês
4 de set. de 2025, 17:06
— Lusa/AO Online
"Nunca
o tema de Vale de Lobo me surgiu como tema político ou como tema
pessoal. Não sei de nada de Vale do Lobo", disse o ex-governante
(2005-2011) no sétimo dia de interrogatório no julgamento da Operação
Marquês, em Lisboa.Segundo a acusação do
Ministério Público, José Sócrates e o então administrador da CGD Armando
Vara terão sido subornados num total de dois milhões de euros por dois
administradores de Vale do Lobo, Diogo Gaspar Ferreira e Rui Horta e
Costa, para beneficiar a partir de 2006 o empreendimento.A
imputação baseia-se no pressuposto de que Armando Vara terá sido, no
final de 2005, nomeado para a administração do banco público por
indicação de José Sócrates."Isso é
mentira. (...) Eu nunca indiquei Armando Vara para lugar nenhum",
assegurou em tribunal, precisando que o nome do antigo secretário de
Estado e ministro no Governo de António Guterres (1995-2000) foi
proposto pelo seu ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos.O
antigo chefe de Governo acrescentou que, na altura, até levantou
objeções "do ponto de visa político" à designação de Armando Vara para a
CGD, tendo chegado a comentar com outros membros do executivo que tal
poderia "dar asneira".No final, disse, acabou por concordar com a proposta de Fernando Teixeira dos Santos, por insistência deste.José Sócrates rejeitou também ter conhecido, na altura, os administradores de Vale do Lobo.O
antigo primeiro-ministro, Armando Vara, Diogo Gaspar Ferreira e Rui
Horta e Costa são quatro dos 21 arguidos da Operação Marquês e respondem
maioritariamente por corrupção e branqueamento de capitais.