Sócrates dispensado das sessões e tribunal ouve próximos arguidos
Operação Marquês
10 de set. de 2025, 17:14
— Lusa/AO Online
O antigo
primeiro-ministro pediu dispensa, na tarde desta quarta-feira, ao coletivo presidido pela
juíza Susana Seco, tendo referido que precisa de se deslocar ao Brasil
por motivos académicos. Já durante a
manhã, José Sócrates disse ter decidido que não vai continuar a falar,
alegando cansaço e deixando para mais tarde o resto do seu depoimento
perante o coletivo de juízes. “Eu não
posso continuar assim, isto assim não pode durar sempre. Deliberei que
não faço mais declarações” a partir de hoje, disse José Sócrates,
acrescentando não querer falar “à pressão”, nem admitir “que o tribunal
seja tão violento”. Terminadas, por agora,
as declarações de José Sócrates, o tribunal vai ouvir na quinta-feira,
na décima primeira sessão deste julgamento, Diogo Gaspar Ferreira,
ex-diretor executivo do empreendimento de luxo Vale de Lobo, que está
acusado pelo Ministério Público de dois crimes: um de corrupção ativa e
um de branqueamento de capitais. Durante a
tarde de hoje, José Sócrates voltou a acusar o Ministério Público de
não apresentar provas e de colocar questões que o antigo
primeiro-ministro não conhece. “Essa conta não é minha, não tenho nada a
ver com ela. E aquilo que o Ministério Público diz extravasa o
tratamento que deve haver entre o Ministério Público e um sujeito
processual”, disse José Sócrates quando questionado pelo procurador
Rómulo Mateus sobre 4,5 milhões de euros que terão sido transferidos
para uma conta na Suíça que era controlada por Carlos Santos Silva. Já
no final da décima sessão deste julgamento, o advogado Francisco
Proença de Carvalho, que representa o antigo presidente do Banco
Espírito Santo, Ricardo Salgado, pediu a palavra, uma vez que o seu
cliente foi mencionado por José Sócrates na questão do chumbo da
alienação da participação da PT na Vivo. “O direito ao contraditório de
defesa de Ricardo Salgado está inviabilizado”, explicou Proença de
Carvalho, dada a sua situação clínica - foi diagnosticado com a doença
de Alzheimer.O antigo primeiro-ministro é
um dos 21 arguidos da Operação Marquês e responde maioritariamente por
corrupção e branqueamento de capitais.Os 21 arguidos têm, em geral, negado a prática dos 117 crimes económico-financeiros que globalmente lhes são imputados.O julgamento começou a 03 de julho no Tribunal Central Criminal de Lisboa.