Sociedades médicas pedem mais impostos sobre produtos de tabaco e nicotina
29 de jan. de 2020, 13:30
— Lusa/AO Online
A
carta, assinada por organizações como a Sociedade Portuguesa de
Oncologia, Sociedade Portuguesa de Pediatria, Associação Nacional dos
Médicos de Saúde Publica, Associação Portuguesa de Medicina Geral e
Familiar e a Ordem dos Farmacêuticos, entre outras, alerta os deputados
“para a atual situação da política fiscal dos produtos de tabaco em
Portugal”. “É imperioso que todos os
responsáveis do Governo defendam as políticas intersetoriais de saúde
pública visando o controlo do principal fator modificável - o tabaco -
causador da maior e da mais evitável carga de doença e morte prematura
da população portuguesa (…), ameaçando, por estas razões, a
sustentabilidade do desenvolvimento socioeconómico e do Serviço Nacional
de Saúde”, escrevem. Os signatários
lembram que “a redução do consumo de tabaco é um objetivo maior da
convenção-quadro de controlo de tabagismo da Organização Mundial da
Saúde (OMS) que Portugal ratificou, assim como da agenda 2030 para o
desenvolvimento sustentável e dos Direitos Humanos (OMS, 2019)”.“É
imperioso, em sede de Orçamento do Estado, dar a devida atenção e
relevo ao assunto (…), já que uma das mais adequadas e efetivas
políticas públicas para o controlo e redução consistente do consumo de
tabaco é a aplicação sistemática de taxas e impostos em todos os
produtos sem exceção”, defendem.Dizem
igualmente que a tributação do tabaco é “a medida isolada mais eficaz e
custo-efetiva para diminuir o consumo”, sobretudo entre os jovens e os
grupos populacionais com rendimentos mais baixos, “os quais apresentam
uma maior vulnerabilidade para fumar e menores recursos para cessar o
consumo”.As organizações que assinam o
documento destacam a “falta de ambição das políticas fiscais dos
diversos governos e da Assembleia da República” a este nível e pedem uma
“política de tributação eficaz” do imposto especial sobre o consumo de
tabaco.Recordam ainda que recentemente
“surgiram no mercado novos produtos de tabaco e de inalação de nicotina
que estimulam o consumo e promovem a dependência da nicotina, a preços
comerciais baixos”, uma situação que dizem dever-se a uma “tributação
ineficaz”.“Atualmente, a evidência de que
os cigarros eletrónicos e o tabaco aquecido contêm substâncias tóxicas e
carcinogénicas com grande potencial para lesar a saúde humana, é
incontestável”, defendem, citando as mais recentes informações da
Direção-geral da Saúde e da Organização Mundial da Saúde sobre esta
matéria.Lembram igualmente as preocupações
da OMS para com os casos de lesões pulmonares agudas graves e as mortes
provocadas por cigarros eletrónicos nos Estados Unidos e sublinham a
declaração da Organização Mundial da Saúde que indica que “os argumentos
de redução de danos e melhoria da saúde pública pela utilização destes
novos produtos não estão comprovados e devem ser proibidos”.A
carta recorda a atualização dos impostos introduzida em 2017 sobre o
líquido contendo nicotina para consumo em cigarros eletrónicos, que as
organizações consideram “incompreensivelmente reduzido”, e defende que
há “um desagravo fiscal, com atualizações muito pouco significativas da
fiscalidade” no que se refere ao tabaco aquecido. “Em
Portugal, a fiscalidade do tabaco tem-se traduzido por aumentos pouco
significativos que não se refletem de um modo similar em todos os
produtos, permitindo que os consumidores troquem para marcas ou produtos
mais acessíveis, como as cigarrilhas ou o tabaco de enrolar, ou ainda
para os novos produtos de tabaco aquecido e cigarros eletrónicos”,
acrescentam.