Sociedade de Diabetologia alerta para risco de perda de comparticipações de medicamentos
Hoje 11:54
— Lusa/AO Online
Continua
a haver constrangimentos na atualização administrativa do Registo
Nacional de Utentes (RNU), que obriga os utentes a atualizar os seus
dados presencialmente nos centros de saúde para não perderem
comparticipações.O problema é que quando a
atualização de dados não está concluída, podem surgir constrangimentos
no acesso à comparticipação de medicamentos nas farmácias, alertou a SPD
em comunicado.“Num sistema de saúde que
se pretende cada vez mais digital, é difícil compreender que uma pessoa
tenha de enfrentar estas barreiras e que essa situação possa condicionar
o acesso ao tratamento. A administração deve estar ao serviço do
doente, e não o contrário”, defendeu o presidente da SPD, citado no
comunicado.Estevão Pape lembra que “a
diabetes é uma doença crónica que não pode ser gerida em função da
capacidade do sistema administrativo para manter os dados de um utente
atualizados. Uma pessoa com diabetes não pode ficar numa situação em que
o acesso à sua terapêutica depende de conseguir resolver
presencialmente um problema administrativo”."A
insulina é o exemplo mais evidente. Para as pessoas com diabetes tipo
1, a sua utilização é indispensável à sobrevivência e qualquer obstáculo
administrativo que possa atrasar ou dificultar o seu acesso deve ser
encarado como uma questão de saúde e não apenas como um problema
burocrático. Também no caso da diabetes tipo 2, a interrupção ou atraso
no acesso a medicamentos essenciais pode comprometer o controlo
metabólico e aumentar o risco de complicações da doença a médio e longo
prazo", alerta a SPD.O problema também se
coloca com os dispositivos e sistemas tecnológicos utilizados no
acompanhamento e tratamento da diabetes, já que para muitas pessoas,
nomeadamente com diabetes tipo 1, as tecnologias de monitorização da
glicose e sistemas de administração de insulina fazem hoje parte
integrante da gestão quotidiana da doença.Perante
este cenário, a SPD considera fundamental que as entidades responsáveis
assegurem mecanismos que permitam resolver estas situações de “forma
rápida, simples e sem colocar sobre o utente o ónus de ultrapassar uma
falha administrativa”.A SPD defende, em
particular, que a regularização dos dados do RNU deve poder ser
realizada através de mecanismos adequados à realidade atual, sem
necessitar da deslocação dos utentes aos centros de saúde. Por outro
lado, não deve ser colocado em causa o acesso imediato a medicamentos ou
dispositivos clinicamente necessários.Para
a SPD, "a proteção da continuidade terapêutica deve prevalecer sobre
qualquer constrangimento de natureza administrativa, sobretudo quando
estão em causa medicamentos e tecnologias de saúde essenciais à gestão
de uma doença crónica".A Administração
Central do Sistema de Saúde (ACSS) tem defendido que o objetivo do RNU
"não é criar barreiras" no acesso aos cuidados de saúde ou medicamentos,
mas "garantir que os dados se encontram completos".Também
a Ordem dos Médicos (OM) já tinha pedido a simplificação urgente dos
procedimentos, tendo a ACSS dito que não tinha recebido relatos de
“constrangimentos generalizados” nas unidades de saúde relacionados com
este procedimento.A ACSS acrescentou ainda
que “é exigida a presença física do utente numa unidade de saúde, por
razões de segurança e de proteção dos dados pessoais”, mas a deslocação
do próprio utente não é obrigatória: Quando não é possível deslocar-se,
“o utente pode fazer-se representar por um familiar, cuidador ou outra
pessoa por si indicada, que deverá apresentar a documentação necessária à
atualização dos dados".