Social-democrata Carlos Moedas 'conquistou' Lisboa ao PS
Autárquicas
27 de set. de 2021, 12:11
— Lusa/AO Online
Carlos
Moedas vai suceder na presidência da Câmara Municipal de Lisboa ao
socialista Fernando Medina, que se recandidatou ao cargo na coligação
Mais Lisboa (PS/Livre).Segundo os
resultados oficiais divulgados pelo Ministério da Administração
Interna, a coligação Novos Tempos Lisboa (PSD/CDS-PP/MPT/PPM/Aliança)
conseguiu sete vereadores, com 34,25% dos votos (83.121 votos); a
coligação Mais Lisboa obteve sete vereadores, com 33,3% (80.822 votos); a
CDU (PCP/PEV) dois, com 10,52% (25.528 votos); e o Bloco de Esquerda
(BE) conseguiu um mandato, com 6,21% (15.063).O
PSD volta assim a liderar a Câmara Municipal de Lisboa, com Carlos
Moedas a considerar que venceu “contra tudo e contra todos”.Referindo
não ter palavras para agradecer o “voto de confiança” que lhe foi dado
pelos lisboetas, Carlos Moedas comprometeu-se a ser o presidente de
todos, com a missão de “unir” e “mudar Lisboa”.Em
segundo lugar, de acordo com os resultados oficiais das autárquicas de
domingo, ficou o atual presidente da autarquia, Fernando Medina, que
várias sondagens davam como o provável vencedor.Fernando
Medina assumiu a derrota pelas 02:30 de hoje, e felicitou Carlos Moedas
por “uma indiscutível vitória pessoal e política”.Já o cabeça de lista da CDU, João Ferreira, conseguiu 10,52% dos votos e mantém os dois vereadores eleitos.“Apesar
do quadro de resultados apurado até agora ser ainda limitado, quer
estes resultados, quer as projeções parecem apontar para o facto de que a
CDU cresceu em Lisboa. Este resultado, a confirmar-se, é indissociável
do reconhecimento do trabalho desenvolvido pelos eleitos e de uma
identificação crescente do projeto da CDU para a cidade”, disse João
Ferreira, na vereação da autarquia da capital desde 2013, quando ainda
estava por apurar a grande maioria das freguesias de Lisboa.O BE voltou a eleger um vereador, Beatriz Gomes Dias, que não prestou declarações sobre os resultados.Nos
últimos 31 anos, o PS governou a Câmara de Lisboa 26 anos e os
sociais-democratas assumiram a presidência do município durante outros
cinco.Nas autárquicas de 2017, o PS – cuja
lista integrou dois movimentos de cidadãos (um criado por Helena Roseta
e outro por José Sá Fernandes) - obteve 42% dos votos para o executivo
(106.037), conquistando oito mandatos e perdendo a maioria absoluta que
detinha no mandato anterior, enquanto a coligação CDS-PP/MPT/PPM
conseguiu 20,59% dos votos (51.984) e quatro mandatos. A
seguir ficou o PSD, que arrecadou 11,22% dos votos (28.336), elegendo
dois vereadores, e a CDU, com 9,55% dos votos (24.110) e também dois
mandatos. Já o BE voltou à vereação ao obter 7,14% dos votos (18.025).Os
bloquistas elegeram como vereador Ricardo Robles, que saiu do cargo em
2018 na sequência da polémica que envolveu a venda de um imóvel e foi
substituído por Manuel Grilo.Após as
eleições, BE e PS assinaram um acordo de governação (com a atribuição de
pelouros) no concelho de Lisboa, que em 2020 tinha 509.565 residentes,
dos quais 28,26% com 65 ou mais anos, segundo a plataforma estatística
Eyedata.De 01 de agosto de 2007 até 06 de
abril de 2015, a autarquia foi liderada pelo socialista António Costa,
eleito pela primeira vez em eleições intercalares.Em
abril de 2015, tomou posse Fernando Medina (PS), que sucedeu a Costa
para este se concentrar na sua candidatura a primeiro-ministro.Antes,
de 2002 a 2007, a capital teve gestão social-democrata, com os
presidentes Pedro Santana Lopes (de 23 de janeiro de 2002 a 17 de julho
de 2004 e depois de 14 de março de 2005 até setembro desse ano) e
António Carmona Rodrigues (como presidente substituto de 17 de julho de
2004 a 14 de março de 2005 e depois como presidente de 28 de outubro de
2005 a 18 de maio de 2007).Por ter sido
constituído arguido no caso Bragaparques - no âmbito do processo de
permuta e venda dos terrenos do Parque Mayer e da Feira Popular em
Entrecampos, atos entretanto considerados nulos pelos tribunais -,
Carmona Rodrigues deixou a presidência do município da capital em 2007.Antes
dos cinco anos de governação social-democrata, tinha sido o PS a estar
no poder, com Jorge Sampaio, de 1990 a 1995, e João Soares, entre 1995 e
2002.