Sobrevivente portuguesa evita regressar ao local da tragédia
11 de Setembro
10 de set. de 2021, 16:00
— Pedro Sousa Pereira, agência Lusa
"Eu
trabalhava no 'Windows on the World', nos andares 107 e 106. O meu
escritório era no 106.º andar. Eu entrava sempre às 08:30 e nesse dia
não apanhei o metro que costumava e esperei pelo próximo. Quando cheguei
ao World Trade Center eram 8:50 da manhã (...) e quando cheguei à
entrada comecei a ouvir barulhos", disse à Lusa Elisabete Alves. "Pareciam
tiroteios e um senhor apareceu a gritar para fugirmos e quando voltei
outra vez à rua muita gente olhava para cima, em choque. Vi um dos
prédios cheio de chamas e de fumo preto. As pessoas não falavam. Estavam
em choque", recorda a portuguesa que conseguiu abandonar o edifício no
momento da tragédia, a 11 de setembro de 2001."Um senhor ao meu lado começou a gritar. Eu percebi que era um corpo a cair. Virei-me e comecei a andar", relata.Elisabete
Alves, portuguesa natural de Angola emigrou com os pais para os Estados
Unidos quando tinha nove anos e ocupava um cargo administrativo no
"Windows on the World" um dos restaurantes mais famosos da cidade de
Nova Iorque, na Torre Norte do World Trade Center."A
minha companhia tinha mais ou menos 500 empregados. Perdemos 75 pessoas
nesse dia", disse a portuguesa residente em Long Island, Estado de Nova
Iorque, e que, 20 anos passados ainda evita deslocar-se ao local dos
atentados, onde trabalhava todos os dias. "Eu
fui lá uma vez, oito ou nove meses depois e, depois de me casar, levei
lá o meu filho. No dia 11 de setembro (sábado) vou ficar em casa. Nesse
dia não gosto de sair. Depois disto fiquei com muita ansiedade e com
ataques de pânico e tive de buscar tratamento", disse ainda Elisabete
Alves. No dia
11 de setembro de 2001, quatro aviões comerciais foram sequestrados por
terroristas da Al Qaeda, sendo que dois aparelhos colidiram de forma
intencional contra as Torres Gémeas do World Trade Center, Nova Iorque,
que ruíram duas horas após o impacto.O
terceiro avião de passageiros colidiu no edifício do Pentágono, a sede
do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, condado de Arlington, nos
arredores de Washington D.C..O
quarto avião caiu num campo no Estado da Pensilvânia, depois de alguns
passageiros e tripulantes terem tentado tomar o controlo do aparelho.Não houve sobreviventes entre os passageiros dos aviões sendo que no total os ataques fizeram mais de três mil mortos.Os
ataques terroristas da Al-Qaida em território norte-americano, durante a
Administração de George W. Bush, provocaram a intervenção militar dos
Estados Unidos contra o Afeganistão que começou a 07 de outubro de 2001 e
no dia 20 de março de 2003 a invasão do Iraque. Atualmente ainda decorre o processo judicial contra cinco homens acusados de participação e planificação dos atentados.O
processo foi formalmente iniciado em fevereiro de 2008, por comissões
militares dos Estados Unidos na base norte-americano de Guantánamo, em
Cuba.A
primeira audiência decorreu a 05 de maio de 2012 e devem ser retomadas
esta semana depois de uma suspensão devido à pandemia de covid-19.Entretanto,
o atual Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, em plena crise
provocada pela derrota norte-americana no Afeganistão, ordenou na semana
passada a abertura de documentos classificados sobre a investigação do
11 de setembro.