Sobe para sete o número de mortos em protestos contra Maduro
Venezuela
24 de jan. de 2019, 10:41
— Lusa/AO Online
Quatro
pessoas foram mortalmente baleadas na cidade de Barinas, no sul do
país, segundo o porta-voz da oposição Freddy Superlano.A
mesma fonte acrescentou que membros da polícia e da Guarda Nacional
estavam a dispersar os manifestantes no final de uma marcha da oposição
quando o tiroteio começou, fazendo igualmente três feridos.No
Estado de Tachira, três pessoas morreram em protestos na cidade de San
Cristobal, indicou um porta-voz da Proteção Civil local.Dezenas
de milhares de pessoas em Caracas e por toda a Venezuela saíram à rua
na quarta-feira para apoiar o dirigente máximo da Assembleia Nacional,
Juan Guaidó, que se autoproclamou Presidente interino e expressou a
intenção de convocar “eleições livres”"Levantemos
a mão: Hoje, 23 de janeiro, na minha condição de presidente da
Assembleia Nacional e perante Deus todo-poderoso e a Constituição, juro
assumir as competências do executivo nacional, como Presidente
Encarregado da Venezuela, para conseguir o fim da usurpação [da
Presidência da República], um Governo de transição e eleições livres",
declarou.O
engenheiro mecânico de 35 anos tornou-se rapidamente o rosto da oposição
venezuelana ao assumir, a 03 de janeiro, a presidência da Assembleia
Nacional, única instituição à margem do regime vigente no país.Nicolás
Maduro iniciou a 10 de janeiro o seu segundo mandato de seis anos como
Presidente da Venezuela, após uma vitória eleitoral cuja legitimidade
não foi reconhecida nem pela oposição, nem pela maior parte da
comunidade internacional.A
15 de janeiro, numa coluna de opinião publicada no diário
norte-americano The Washington Post, Juan Guaidó invocou artigos da
Constituição que instam os venezuelanos a rejeitar os regimes que não
respeitem os valores democráticos, declarando-se “em condições e
disposto a ocupar as funções de Presidente interino com o objetivo de
organizar eleições livres e justas”.Os
Estados Unidos, a Organização dos Estados Americanos (OEA) e quase toda
a América Latina, à exceção de México, Bolívia e Cuba, e da Rússia –
que se mantêm ao lado de Maduro, que consideram ser o Presidente
democraticamente eleito da Venezuela -, já reconheceram Juan Guaidó como
Presidente interino da Venezuela.Por
seu lado, a União Europeia defendeu a legitimidade democrática do
parlamento venezuelano, sublinhando que “os direitos civis, a liberdade e
a segurança de todos os membros da Assembleia Nacional, incluindo do
seu Presidente, Juan Guaidó, devem ser plenamente respeitados” e
instando à “abertura imediata de um processo político que conduza a
eleições livres e credíveis, em conformidade com a ordem
constitucional”.Da
parte do Governo português, o ministro dos Negócios Estrangeiros,
Augusto Santos Silva, expressou na quarta-feira pleno respeito pela
“vontade inequívoca” mostrada pelo povo da Venezuela, disse esperar que
Nicolás Maduro “compreenda que o seu tempo acabou” e apelou para a
realização de “eleições livres”.A
Venezuela enfrenta uma grave crise política e económica que levou 2,3
milhões de pessoas a fugir do país desde 2015, segundo dados da ONU.