SNS continua a ser "pilar estruturante" apesar de crescimento dos privados
14 de mai. de 2025, 12:29
— Lusa/AO Online
A análise dos investigadores
Carolina Santos e Pedro Pitta Barros, da Nova SBE, pretendeu compreender
como funcionam as diferentes componentes do sistema de saúde e como se
articulam as responsabilidades do Estado, das famílias e das entidades
privadas e teve como referência a origem dos fundos utilizados para
pagar os cuidados de saúde (financiamento) e quem presta esses cuidados
(a prestação), concluindo que, no financiamento, o setor público mantém
um papel central, mas as famílias pagam cada vez mais.Apesar
do crescimento percentual do seguro privado de saúde, este “mantém
ainda um peso relativo limitado no financiamento global”, referem os
investigadores.A principal fonte de
financiamento do sistema de saúde português continua a ser o “seguro
público”, garantido pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS). No entanto –
referem -, a sua preponderância baixou entre 2000 e 2022, passando de
58,62% para 55,37% do total.A segunda
fonte mais relevante corresponde aos pagamentos diretos feitos pelas
famílias, cuja proporção aumentou de 24,98% em 2000 para 29,65% em 2022,
o que revela o aumento do esforço financeiro das famílias.Nas últimas duas décadas, o financiamento assegurado por subsistemas como a ADSE perdeu expressão, passando de 6,27% para 3,02%.Ainda
quanto ao financiamento, o estudo recorda que a componente de "seguro
público" tem ainda a particularidade das deduções fiscais à coleta de
IRS associadas a despesas de saúde das famílias.“A
existência desta dedução fiscal significa que parte da despesa direta
realizada pelas famílias é paga pelo Estado (setor público) através do
recebimento de menos impostos”, explica.Os
investigadores lembram que, quando o SNS permite o recurso a
prestadores privados por parte do cidadão, assegurando o pagamento (de
exames, por exemplo), tem-se designado o setor privado como complementar
do setor público, o que consideram não ser inteiramente correto, porque
“a responsabilidade da prestação não deixa de ser do SNS, mesmo que
decida usar capacidade contratada ao setor privado, seja para oferecer
mais opções ao cidadão seja por falta de capacidade do setor público”.Lembram
ainda que o setor privado em Portugal “assume maior relevância na
prestação de cuidados de saúde do que no financiamento das despesas em
cuidados de saúde”, exemplificando com a percentagem da despesa em
prestadores privados.Nesta área, os dados
mostram que em 2022 a percentagem do setor privado na prestação estava
nos 47,95% (50,86% em 2021) enquanto no financiamento era de 27,62%
(29,20% em 2021).“O futuro desta
articulação entre setores dependerá da capacidade de desenhar políticas
públicas que reconheçam as tensões e interdependências existentes, sem
abdicar dos princípios fundamentais que regem o SNS: universalidade,
equidade e solidariedade”, concluem os investigadores.A
análise foi realizada pelos investigadores Carolina Santos e Pedro
Pitta Barros, no âmbito da Iniciativa para a Equidade Social, uma
parceria entre a Fundação ‘la Caixa’, o BPI e a Nova SBE.