SNPC critica ANA por “querer pagar tostões” pelo serviço dos bombeiros
Hoje 10:50
— Filipe Torres
O Sindicato Nacional da Proteção Civil (SNPC) manifesta “elevada preocupação” com a situação dos bombeiros que asseguram o serviço de emergência nos aeroportos dos Açores, rejeitando a ideia de que os operacionais tenham deixado de trabalhar por vontade própria.Em reação à notícia publicada esta quinta-feira no Açoriano Oriental, “Bombeiros deixam de trabalhar em três aeroportos”, o sindicato defende que os profissionais não devem ser responsabilizados por uma situação que resulta da evolução dos protocolos e das condições de prestação do serviço.Na nota de imprensa, o SNPC aponta responsabilidades à falta de entendimento entre a ANA – Aeroportos de Portugal e as Associações Humanitárias de Bombeiros, mas também critica a ausência, até ao momento, de uma resposta do Governo Regional dos Açores.O sindicato alerta que é preocupante que a ANA, empresa responsável pela gestão dos aeroportos, esteja a exigir alterações que podem colocar em causa a sustentabilidade financeira das associações dos bombeiros.“A prestação de serviços aos aeroportos representa cerca de 55% do financiamento de sustentabilidade financeira de algumas destas associações humanitárias”, lê-se na nota de imprensa.Além disso, o SNPC realça o lucro da ANA em 2025, que ultrapassou os 585,5 milhões de euros, tendo mais de 70 milhões de passageiros.“A ANA - Aeroportos de Portugal ganha milhões, mas só quer pagar tostões”, afirma o SNPC.O Sindicato Nacional da Proteção Civil afirma que o Governo Regional dos Açores ainda “não apresentou um plano de apoio financeiro extraordinário ou uma alternativa de integração para os bombeiros profissionais afetados pela denúncia e abandono dos protocolos entre a ANA e as AHB”.“Os bombeiros que dão apoio nos aeroportos continuam sem saber de nada, não reúnem com eles e não lhes contam a verdade”, salienta o sindicato.O SNPC adianta que já reuniu com a Secretaria Regional do Ambiente e Ação Climática, onde apresentou uma proposta de Portaria para as Condições de Trabalho - PCT, cujas condições de contrato daria “novas oportunidades, melhores salários e reconhecimento profissional” aos bombeiros da Região Autónoma dos Açores.“Até à presente data, não tivemos qualquer feedback sobre as nossas propostas, nem a Associação de Municípios, com quem reunimos também, nos deu qualquer indicador das necessárias alterações à atual PCT e ao inevitável apoio dos Municípios às AHBP”, lê-se na nota.Relativamente às declarações do presidente do Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores, Rui Andrade, sobre o “maior compromisso financeiro e envolvimento direto dos Municípios no financiamento das corporações”, o sindicato afirma que as releva como “muito importantes”.Não atualização financeira dos protocolos é um dos motivosRecorde-se que as associações de bombeiros vão deixar de prestar serviço de socorro contra incêndios nos aeroportos de Ponta Delgada, Faial e Flores, a partir de março de 2027, conforme noticiado esta quinta-feira.Nenhuma das três associações apresentou proposta à consulta pública lançada pela ANA/Vinci, pelo que a partir de março de 2027, serão empresas privadas certificadas a prestar este serviço, a exemplo do que já acontece nos aeroportos de Lisboa, Porto, Faro ou Funchal.“E são sobretudo duas as razões que levaram a que as associações de bombeiros não apresentassem propostas: uma foi a não atualização financeira dos protocolos, sobretudo a seguir à pandemia, altura em que a inflação disparou e outra foi o grande aumento das exigências da empresa gestora para a prestação do serviço de socorro contra incêndios a partir de 1 de março de 2027”, lê-se na notícia publicada esta quinta-feira no Açoriano Oriental.Na altura, o presidente da Federação dos Bombeiros dos Açores, José Braia Ferreira, salientou que as associações já estavam a perder dinheiro com o serviço prestado nos aeroportos e que as novas exigências da ANA/Vinci“ iriam implicar, só na associação do Faial, que dirige, a um investimento da ordem dos 500 mil euros em novos equipamentos e na formação dos bombeiros”.