SNCGP coloca em causa a permanência da direção do EP de Ponta Delgada
Hoje 09:53
— Filipe Torres
O Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP) colocou em
causa a permanência da direção do Estabelecimento Prisional (EP) de
Ponta Delgada, na sequência da mais recente fuga de um recluso,
considerando que a cadeia vive um “alarme social” devido à degradação
das infraestruturas e à falta de segurança.Segundo o sindicato, esta
foi já a quinta fuga registada no estabelecimento prisional, situação
que, no entendimento do SNCGP, demonstra “falhas graves” ao nível das
redes de proteção e da vigilância da cadeia.Frederico Morais,
presidente do SNCGP, afirmou ao Açoriano Oriental que o sindicato “está
farto de alertar” para a falta de condições de segurança no EP de Ponta
Delgada, explicando que “continua tudo igual”. O sindicalista alerta
que é urgente uma nova cadeia em Ponta Delgada, e questiona igualmente a
permanência da diretora do estabelecimento e do adjunto da direção.Entre
as críticas apontadas está a alegada prioridade dada a atividades
consideradas “desnecessárias”, como sessões de ioga para reclusos, em
detrimento do reforço das condições de segurança e da melhoria das
infraestruturas, “nem que seja com soluções provisórias e canalizadas”.O
sindicato alerta ainda para o clima de tensão no estabelecimento
prisional, relatando as tentativas de fuga dos reclusos e há inclusive
problemas em zonas periféricas da cadeia, considerando existir uma
crescente sensação de insegurança.Para o SNCGP, a situação
ultrapassa o “alarmismo” e representa um problema real de segurança
prisional que exige intervenção urgente das autoridades competentes.Recorde-se
que no passado sábado, num dos principais dias das Festas do Senhor
Santo Cristo dos Milagres, pelas 16h00, três reclusos tentaram escapar
do EP de Ponta Delgada, sendo que apenas um conseguiu efetivamente
escapar da cadeia.Na ocasião, Frederico Morais explicou ao Açoriano
Oriental que dois reclusos acabaram por se assustar com os disparos de
alerta do guarda prisional que estava na torre, sendo que um sofreu
ferimentos por causa do arame farpado - foi observado pela equipa de
enfermagem - e o outro acabou por desistir da fuga. O presidente do
SNCGP realça que o recluso fugitivo foi detido cerca de 40 minutos
depois, numas escadas devolutas próximas da prisão de Ponta Delgada.