Situação sanitária em Cuba é "profundamente preocupante"
Hoje 17:06
— Lusa/AO Online
"A
saúde deve ser protegida a todo custo e nunca estar à mercê da
geopolítica, dos bloqueios energéticos e das falhas de eletricidade", o
diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom
Ghebreyesus, na rede social X."A situação
em Cuba é profundamente preocupante, pois o país luta para manter a
prestação de serviços de saúde num momento de enormes turbulências,
provocando carências de energia que afetam a saúde", acrescentou.A
deficiência do sistema cubano de produção de eletricidade provoca
cortes de energia diários que podem durar até 20 horas. A ilha carece do
combustível necessário para produzir a eletricidade de que necessita.Desde
a captura pelos Estados Unidos do principal aliado de Cuba, o
presidente venezuelano Nicolás Maduro, em 03 de janeiro, a economia da
ilha foi ainda mais duramente atingida, enquanto o presidente americano
Donald Trump mantém um bloqueio petrolífero de facto ao país. Nenhuma
carga de petróleo foi importada pela ilha desde 09 de janeiro, o que
afeta o setor da eletricidade e obriga também as companhias aéreas a
reduzir os seus voos para Cuba, um duro golpe para o setor vital da sua
economia, o turismo. Tedros referiu
informações da imprensa segundo as quais os hospitais cubanos tiveram
dificuldades em manter os seus serviços de urgência e cuidados
intensivos. "Milhares de intervenções
cirúrgicas foram adiadas no último mês, e pessoas a necessitar de
cuidados de saúde, desde pacientes com cancro até mulheres grávidas
preparando-se para o parto, foram colocadas em risco devido à falta de
eletricidade para operar os equipamentos médicos e garantir a cadeia de
frio para as vacinas", explicou Tedros. "Os
hospitais cubanos, as clínicas e as ambulâncias são necessários, agora
mais do que nunca, e devem ser apoiados", acrescentou o responsável
máximo da OMS. Para além dos cortes
diários de eletricidade, os preços dos combustíveis dispararam, os
transportes públicos são escassos e o lixo acumula-se, já que os camiões
de recolha de lixo deixaram de circular.