Situação normalizada nos hospitais após milhares de adiamentos na 2ª feira
Apagão
29 de abr. de 2025, 09:26
— Lusa/AO Online
Em declarações à agência Lusa, o presidente da
Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), Xavier
Barreto, disse que não foi preciso desmarcar a atividade programada para
hoje e que as unidades terão agora de recuperar o que foi perdido na
segunda-feira.“Os doentes de ontem
[segunda-feira] vamos remarcar e estamos hoje mesmo a apurar essas
listas e a remarcá-las, em conjunto com as nossas equipas e com os
nossos médicos”, disse.O responsável
explicou que houve alguns momentos tensos na segunda-feira por causa da
necessidade de reabastecimento de combustível para os geradores dos
hospitais, pois nem todos tinham a mesma autonomia.“A
partir do momento em que aconteceu a falha, todos os hospitais
começaram a tentar perceber qual era a sua autonomia, qual a quantidade
de combustível que tinham em ‘stock’, e as situações não eram iguais.
Tínhamos hospitais com ‘stocks’ mais pequenos e, portanto, com menos
capacidade de aguentar os geradores até mais tarde”, explicou o
responsável, acrescentando que a coordenação com as diversas autoridades
para reabastecer “correu bem”.Disse ainda
que o reabastecimento “foi sendo discutido com a Proteção Civil e com o
Governo”, que “assumiu desde logo a prioridade de abastecer os
hospitais e abastecer de forma prioritária os que não tinham ‘stocks’ de
combustível ou tinham stocks mais ‘baixos’”.“Foi
um processo muito tenso. Quando se percebe que os geradores têm um
prazo expectável a partir do qual irão parar, não tendo a certeza de que
vai ser reabastecido, é sempre um momento muito tenso”, contou.Xavier
Barreto disse que houve uma “estreita articulação” entre a Proteção
Civil, o Governo, a Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde,
municípios e bombeiros e que “não houve nenhuma falha grave com
consequências para os doentes”.Explicou
igualmente que os hospitais, quando perceberam o que estava a acontecer,
“desligaram todas as áreas que não eram críticas”, como as consultas, o
ambulatório, hospitais de dia e áreas de apoio, como lavandarias e
cozinhas.“A energia disponível nos
geradores e nas baterias tem de ser guardada para os doentes críticos”,
acrescentou o responsável, reconhecendo: “Claro que isto depois tem
consequências a nível da forma como o hospital funciona, que estamos
agora a resolver”.Olhando para o dia de
segunda-feira, Xavier Barreto diz que “dentro dos constrangimentos que
os hospitais tiveram, num dia “muito, muito difícil”, a resposta “foi
satisfatória” pois a situação “não teve impacto nos doentes”.Disse
ainda que hoje “está tudo normalizado”, reconhecendo que há pequenas
coisas a recuperar, como “máquinas que não ligaram” ou “disjuntores que
não estão a funcionar”.“Há coisas que
estamos a recuperar e estamos a fazê-lo ao longo da manhã, mas nada de
grave. A atividade está toda a ser feita”, acrescentou.