Situação nas prisões está completamente controlada
Covid-19
24 de nov. de 2020, 12:36
— Lusa/AO Online
“A
situação que temos neste momento é uma situação completamente
controlada ao nível dos vários estabelecimentos. Não houve ainda
necessidade de recurso quer ao Serviço Nacional de Saúde, quer qualquer
outra estrutura externa. Os casos são essencialmente de
assintomatologia”, disse a ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, à
saída da audiência com Marcelo Rebelo de Sousa, no Palácio de Belém. A
ministra foi ouvida em conjunto com a ministra da Saúde, Marta Temido, a
propósito dos surtos nos estabelecimentos prisionais, que registam mais
de 435 pessoas infetadas, das quais cerca de 350 são reclusos, segundo
os números apresentados por Francisca Van Dunem. Questionada
sobre o uso de máscara obrigatório no interior das prisões, a ministra
referiu que o diretor-geral de Reinserção e Serviços Prisionais pediu um
parecer à Direção-Geral de Saúde sobre a matéria.“Aguardamos
que a breve trecho nos seja enviado o parecer com a resposta da DGS
sobre a obrigatoriedade ou não do uso de máscara no interior dos espaços
prisionais”, disse Van Dunem, referindo que deslocações aos serviços
médicos nas prisões, frequência de aulas e locais de trabalho são
situações que já requerem o uso obrigatório de máscara no interior dos
estabelecimentos prisionais, mas não no interior das celas.A
diretora-geral da Saúde afirmou que está a trabalhar em “estreita
colaboração” com a Direção-Geral dos Serviços Prisionais sobre a
utilização de máscaras nas prisões, mas lembrou que a regra geral é o
seu uso em ambientes fechados.A
Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) defende que o
uso generalizado de máscara no interior da zona prisional "é complexa,
por razões muito próprias do ambiente prisional, como seja a partilha
quotidiana de objetos, a repetição de rituais sociais de proximidade que
anulam o efeito da máscara na comunidade e podem transformar a máscara
ela própria, num foco de contágio, e por isso mesmo uma fonte de
potencial surto".Em comunicado, a DGRSP
refere que, perante o agravar da situação na comunidade prisional no
âmbito da pandemia de covid-19, pediu um parecer à Direção-Geral da
Saúde sobre a necessidade de reforçar as linhas de orientação que vinha
seguindo, sendo que o diretor-geral do sistema prisional já admitiu
publicamente vir a poder introduzir alterações nesta matéria. Francisca
Van Dunem disse ainda que o aumento de casos na comunidade explica o
aumento de casos em ambiente prisional, com as pessoas que trabalham nas
prisões, mas vivem na comunidade, a serem responsáveis pelo acelerar de
casos de infeção.“Havendo um ritmo mais
acelerado de transmissão na comunidade é natural que esse efeito de
aceleração se reproduza também no interior dos estabelecimentos
prisionais”, disse, acrescentando que os planos de contingência foram
definidos à partida e que consistem em testar o maior número possível de
pessoas – “e normalmente testa-se o estabelecimento inteiro” –
separando depois os infetados dos restantes.A
ministra da Justiça reiterou a sua “confiança” na capacidade de
“aproveitar a vantagem” de medidas tomadas logo em março no sentido de
preparar os espaços no interior das prisões para separar reclusos
infetados de não infetados.