“Sinceramente,
acho que a situação se tem agravado imenso, eu fui sempre muito
cauteloso porque a palavra 'genocídio' tem implicações jurídicas e
pressupostos jurídicos muito sérios, mas o agravamento da situação é
claro”, disse Paulo Rangel, questionado pelos jornalistas sobre se as
ações de Israel podem classificar-se como genocídio da população
palestiniana.À saída de uma reunião
ministerial, em Bruxelas, o ministro dos Negócios Estrangeiros
acrescentou que a situação, “de facto, agravou-se muito”, mas insistiu
não ser necessário classificá-la como um genocídio.“Julgo
que não precisamos de estar a fazer uma qualificação desse tipo para
considerar que a situação é absolutamente intolerável”, comentou Paulo
Rangel.O governante disse que o Governo de
Luís Montenegro “foi o único que, até agora, cancelou o fornecimento de
qualquer armamento a Israel”, acusando o executivo de António Costa,
agora presidente do Conselho Europeu, de ter tido a oportunidade para o
fazer.Israel tem intensificado as
operações no enclave palestiniano e na última semana, o
primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, anunciou a intenção de
ocupar a totalidade da Faixa de Gaza.Desde
o início de março que Israel bloqueou qualquer camião com ajuda
humanitária de entrar em Gaza, enquanto continua a bombardear o
território.Na reunião dos chefes da
diplomacia da UE, foi debatida uma proposta dos Países Baixos para rever
o acordo de associação com Israel. Paulo
Rangel disse que uma maioria é a favor de uma revisão do acordo, mas
ainda há países que são contra qualquer tipo de alteração.A
suspensão, adiantou o ministro, pode ser uma possibilidade, mas só será
equacionada se se avançar com a revisão do acordo com Telavive.De
acordo com informações da Organização Mundial da Saúde, de 12 de maio,
toda a população de Gaza, cerca de dois milhões de pessoas, está em
risco de morrer à fome, além de ser vítima da invasão militar israelita.Na
última sexta-feira, a agência da ONU de assistência aos refugiados
palestinianos (UNRWA) fez uma projeção que aponta que entre maio e
setembro deste ano mais de metade da população poderá estar em risco de
morrer à fome.