"Situação de calamidade" vigora durante dois anos na Região
8 de nov. de 2019, 18:27
— Lusa/AO online
A
passagem do furacão no arquipélago dos Açores, em 02 de outubro,
provocou prejuízos de 330 milhões de euros, segundo o executivo
regional. Foram registadas pela Proteção Civil 255 ocorrências e 53
pessoas tiveram de ser realojadas.Segundo a
resolução assinada pelo primeiro-ministro, António Costa, a "situação
de calamidade" mantém-se "em vigor pelo período de dois anos".O
documento determina ainda que "o reconhecimento de elegibilidade da
inventariação e quantificação exata dos danos e prejuízos causados" pelo
furacão "é fixado por despacho do primeiro-ministro, sob proposta do
Governo Regional dos Açores".O líder do executivo regional, o socialista Vasco Cordeiro, reúne-se hoje à tarde com o primeiro-ministro, em Lisboa.Tal
como previamente anunciado, a resolução estipula que os "apoios
financeiros necessários ao restabelecimento da normalidade" são
"suportados em 85% pelo Governo da República", em termos ainda a
definir."Esta intempérie causou danos
naquela região que se repercutem, sobretudo, em habitações, explorações
agrícolas, equipamentos de apoio à pesca e empreendimentos de comércio e
serviços. Adicionalmente, o furacão 'Lorenzo', em consequência da forte
ondulação que originou, provocou também danos significativos em
infraestruturas rodoviárias, portuárias e de apoio portuário", reconhece
o Governo da República, na exposição de motivos da resolução.A
situação de calamidade está prevista na Lei de Bases da Proteção Civil,
podendo ser declarada “face à ocorrência ou perigo de ocorrência” de
acidente grave ou catástrofe, e reconhece "a necessidade de adotar
medidas de caráter excecional destinadas a prevenir, reagir ou repor a
normalidade das condições de vida nas áreas atingidas pelos seus
efeitos".Por outro lado, inclui um "regime
especial de contratação de empreitadas de obras públicas, fornecimentos
de bens e aquisição de serviços".Em 14 de outubro, Vasco Cordeiro pediu ajuda financeira ao Estado e a ativação do Fundo de Solidariedade da União Europeia.Uma
semana depois, o Governo da República assegurou que vai pagar 85% dos
estragos causados e agilizar os procedimentos para recuperar as
infraestruturas destruídas.O anúncio foi
feito por Vasco Cordeiro, em Lisboa, após uma reunião com o
primeiro-ministro e com os ministros da Economia e do Planeamento, Pedro
Siza Vieira e Nelson de Souza, respetivamente.De
acordo com Vasco Cordeiro, no encontro, o Governo da República assumiu,
“sem reservas, o dever de solidariedade” para com os Açores.