Sitava espera que trabalhadores não sejam chamados a resgatar empresa
TAP
Hoje 16:31
— Lusa/AO Online
“Ao longo da história da TAP, sempre que se avançou para privatizações - totais ou parciais - foram os trabalhadores que acabaram chamados a resgatar a empresa das consequências que se seguiram. Esperemos que o mesmo não venha a suceder no futuro, próximo ou longínquo”, afirmou, em comunicado. O Sitava referiu ter transmitido esta posição aos dois candidatos que chegaram à fase final, a Lufthansa e à Air France-KLM. O Governo selecionou a Lufthansa para a privatização parcial da TAP, com uma proposta de 1.201 milhões de euros para até 49,9% do capital, prevendo concluir a operação até ao início de 2028.A decisão, anunciada pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, foi tomada em Conselho de Ministros, após a análise das propostas vinculativas finais melhoradas apresentadas pela Air France-KLM e pela Lufthansa, os dois grupos que chegaram à fase decisiva da privatização da companhia aérea portuguesa.O Sitava criticou ainda a aparente segmentação da empresa, com a manutenção e engenharia da TAP integrada na do grupo Lufthansa. “A acontecer será um erro crasso. Veremos se não será apenas o primeiro de muitos”, avisou. Este sindicato sublinhou ainda que a TAP foi “construída, mantida e salva” pelos trabalhadores e não pelos sucessivos governos ou pelos grupos económicos. O Sitava garantiu que vai acompanhar este processo e que não vai permitir que se repita o passado. “A TAP só terá futuro se esse futuro incluir, de forma clara e respeitosa, aqueles que todos os dias garantem que a empresa voe em segurança”, vincou. A proposta da Lufthansa inclui um preço de referência de 1.025 milhões de euros por 44,9% da TAP, acrescido de 58 milhões de euros em ajustamentos temporais relacionados com a taxa de emissão de bilhetes ('ticketing fee'), a SPdH (antiga Groundforce, empresa de assistência em terra) e a Cateringpor (serviços de refeições a bordo), além de 118 milhões relativos aos 5% reservados aos trabalhadores, elevando o encaixe potencial para 1.201 milhões de euros.Já a Air France-KLM ofereceu 850 milhões de euros pelos 44,9% do capital, a que acrescem 86 milhões de euros em ajustamentos da mesma natureza e 102 milhões relativos à parcela reservada aos trabalhadores, totalizando 1.038 milhões de euros.A proposta do grupo franco-neerlandês previa ainda um pagamento adicional de 100 milhões de euros, condicionado ao cumprimento de metas financeiras pela TAP em 2028, nomeadamente um resultado operacional (EBITDA) de pelo menos 1.036 milhões de euros e uma dívida financeira líquida não superior a 2.900 milhões.A avaliação teve também em conta as propostas apresentadas pelos dois concorrentes para uma eventual segunda fase da privatização, condição pedida no caderno de encargos, que permitiria ao investidor selecionado adquirir a maioria do capital da companhia.Nesse cenário, a Lufthansa apresentou uma proposta adicional de 1.351 milhões de euros pela aquisição dos restantes 50,1% da TAP, dos quais 863 milhões de euros seriam pagos em dinheiro e 488 milhões através de uma troca de ações.Esta operação permitiria ao Estado português tornar-se o segundo maior acionista do grupo resultante da combinação da Lufthansa com a TAP, mantendo uma participação indireta na transportadora portuguesa.Considerando as duas fases, a proposta implica uma valorização direta da TAP de 2.552 milhões de euros, superior às avaliações independentes apresentadas ao Governo.