Sitava diz que já se perderam 3.000 postos de trabalho no grupo
TAP
24 de nov. de 2020, 14:56
— Lusa/AO Online
“É do conhecimento
de todos nós, que desde o início da crise pandémica, a TAP e as
restantes empresas do grupo decidiram, infelizmente para milhares de
trabalhadores, pela não renovação dos contratos a termo, e pelo
cancelamento dos contratos com as empresas de trabalho temporário”,
apontou o Sitava, em comunicado.“Talvez
estes que nos ameaçam [com despedimentos] não tenham interesse em fazer
contas porque se quisessem fazê-las saberiam que só nas quatro empresas
do grupo (incluindo a SPDH, a empresa de 'handling' Groundforce) já se
perderam cerca de 3.000 postos de trabalho”, acrescentou.Segundo
o sindicato, a companhia aérea procedeu a “cortes cegos” que estão
provocar “graves prejuízos” e levaram já a que a empresa tivesse de
contratar serviço de apoio a passageiros à LGSP, do grupo Lufthansa.“Dizem
eles em tom ameaçador que vai haver despedimentos. Mais uma vez, só
temos que dizer a estes senhores, que se isto não for má fé, então
continuam distraídos”, considerou o sindicato.O
Sitava acusou, ainda, o Conselho de Administração e a Comissão
Executiva da companhia aérea de divulgarem, quase diariamente, notícias
na comunicação social, “ameaçando os trabalhadores em vésperas de ser
conhecido o tal projeto de reestruturação”.Os
representantes dos trabalhadores da aviação e dos aeroportos reiteraram
também que a “única responsável pela preocupante situação” da TAP é a
crise sanitária que se atravessa, considerando, por isso, que não pode
“ser aos trabalhadores qualquer responsabilidade”.Relativamente
à redução da frota, que também tem sido referida no âmbito do plano de
reestruturação a apresentar em Bruxelas até 10 de dezembro, o sindicato
disse que isso só é novidade “para os distraídos”, uma vez que a
renovação da frota que a TAP realizou nos anos de 2018 e 2019 tinha já
como pressuposto a saída de operação das aeronaves mais antigas, durante
o ano de 2021.“Com esta realidade
presente, só por má fé se poderá plantar agora na comunicação social,
que a reestruturação da TAP obriga à redução da frota. É falso. A frota
da TAP – TAP mais Portugália – será diminuída das unidades mais antigas o
que vai, obviamente, diminuir o número de aviões nas duas frotas. Claro
que vai, tal como já estava previsto”, sublinhou.O
ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos,
anunciou no parlamento, a 4 de novembro, que "a primeira fase" do
plano de reestruturação da TAP estava concluída e que as negociações com
os sindicatos iam arrancar."A primeira
fase do plano de reestruturação está feita, o que nos permite iniciar a
negociação com os sindicatos. Esse trabalho vai iniciar-se desde já",
disse Pedro Nuno Santos numa audição no parlamento, no âmbito da
apreciação na especialidade da proposta de Orçamento do Estado para 2021
(OE2021)."Temos uma companhia aérea que
está sobredimensionada para a realidade atual e temos de conseguir um
processo restruturação que garanta que a companhia aérea vai ser viável e
sustentável", defendeu Pedro Nuno Santos. Perante
os deputados, o ministro reafirmou ainda que a TAP vai necessitar de
utilizar a totalidade dos 1.200 milhões de euros do empréstimo do Estado
até ao final do ano.A 15 de outubro,
Pedro Nuno Santos anunciou no parlamento que iriam sair 1.600
trabalhadores do grupo TAP até ao final do ano, tendo já saído 1.200
colaboradores.O governante, em audição na
Comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação, desmentiu
dados apresentados pelo Bloco de Esquerda, que apontou a saída de 1.500
tripulantes da TAP, referindo que isso seria 80% da força laboral e
garantindo que os 1.600 trabalhadores que irão sair são de todo o grupo e
não apenas da companhia aérea.