Sitava defende fim da privatização da Azores Airlines
23 de out. de 2023, 15:32
— Lusa
“Aquilo
que queremos crer é que não está escrito que tem que ser privatizada [a
Azores Airlines]. E mesmo que faça referência a isso, fá-lo para depois
de 2025”, afirmou, em declarações à Lusa, José Sousa.O
presidente do Sitava referiu-se ao caso da TAP, em que “o
primeiro-ministro lançou um processo de privatização e disse que este
era uma obrigação de Bruxelas”, mas entretanto “já se retratou na
Assembleia da República e afinal não é obrigatório”.
“Os planos de reestruturação, sobretudo de entidades como a União
Europeia, embora se saiba que condicionam as políticas de um determinado
país, são muito moderados quando escrevem imposições”, sublinhou.Num
comunicado emitido hoje, o sindicato volta a apelar ao Governo Regional
(PSD/CDS-PP/PPM) para que "pare imediatamente o processo”, uma vez que
“reconhecer um erro e inverter a trajetória não fragiliza o governo”,
quando está em causa “continuar o caminho para o precipício”. O
júri do concurso público de privatização da Azores Airlines, do grupo
SATA, excluiu na sexta-feira, no seu relatório intercalar, o concorrente
Atlantic Consortium por não ter assumido a sua proposta como
“vinculativa”.O presidente do júri,
Augusto Mateus, referiu, em conferência de imprensa em Ponta Delgada
naquele dia, que “há um concorrente que não cumpre as condições
materiais” e que foi dada aos concorrentes a oportunidade de corrigir as
“deficiências formais”.No comunicado de
hoje, a estrutura sindical refere que, além de ter sido excluído um dos
concorrentes, o outro teve “uma avaliação sofrível, o que parece querer
dizer que este nem sequer apresenta os mínimos que garantam a
sustentabilidade futura da empresa”.“Tínhamos
razão quando na nossa comunicação de 04 de agosto de 2023 chamávamos a
atenção dos trabalhadores do Grupo SATA, e também de todo o povo
regional, para os perigos que poderiam resultar para o grupo e para a
região, se o governo mantivesse a sua atitude ‘autista’ e continuasse
com o processo de privatização da Azores Airlines”, afirma.O
Sitava acrescenta ter dito ao Governo Regional que, “perante o que se
estava a desenhar, em vez de continuar o processo era bem mais avisado
cancelá-lo de imediato”, mas “assim não foi entendido”. Por isso, houve
agora a notícia de “mais um passo a caminho do abismo”.O
caderno de encargos da privatização da Azores Airlines prevê uma
alienação no mínimo de 51% e no máximo de 85% do capital social da
companhia.Em junho de 2022, a Comissão
Europeia aprovou uma ajuda estatal portuguesa para apoio à
reestruturação da companhia aérea de 453,25 milhões de euros em
empréstimos e garantias estatais, prevendo medidas como uma
reorganização da estrutura e o desinvestimento de uma participação de
controlo (51%).