Sistemas informáticos do Hospital de Ponta Delgada restabelecidos em “duas semanas”
6 de ago. de 2021, 17:45
— Lusa/AO Online
“Neste
momento, estão reunidas as condições para avançar de uma forma mais
célere e segura com os trabalhos em falta que permitirão restabelecer a
totalidade dos sistemas do Hospital Divino Espírito Santo de forma
faseada e com uma estimativa de prazo de execução de mais duas semanas”,
declarou.A 24 de junho, o Governo dos Açores informou ter sido detetada "uma
tentativa de intrusão externa no sistema informático" do Hospital Divino
Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, pelo que foi acionado um plano
de contingência.Nesse
mesmo dia, as secretarias das Obras Públicas e Comunicações e da Saúde,
em articulação com a administração da unidade hospitalar, tomaram a
“decisão, inadiável, de isolar informaticamente o hospital ao nível do
ciberespaço e da restante rede do Governo dos Açores”, disse hoje Ana
Carvalho.“Com
a decisão, era sabido o inevitável impacto negativo no normal
funcionamento da unidade hospitalar, mas pesou o facto de estarmos
perante evidências inequívocas de que aquela instituição se encontrava
na iminência de um ataque de ‘ransomware’”, destacouSegundo
disse, um ataque ‘ransomware’ (um ‘malware’ criado para criptografar
áreas de armazenamento de computadores), “impossibilitaria a recuperação
de todos os dados do hospital, os clínicos de todos os seus utentes e
todos os dados de caráter financeiro e administrativo”.“Expectável
era que seríamos confrontados, para resgate futuro dos dados, com uma
exigência de um avultado pagamento, em criptomoeda, que habitualmente se
encontra na ordem das dezenas de milhões de euros”, acrescentou.Ana Carvalho realçou que não é possível identificar a origem deste tipo de ataques.A
governante avançou ainda que a secretaria das Obras Públicas e
Comunicações não foi contactada pela Polícia Judiciária a propósito do
ciberataque.A
secretária regional disse que os técnicos informáticos da direção
regional das Comunicações e da Saúde “tiveram de se inteirar do sistema”
do HDES e “contactar as empresas que forneceram aqueles sistemas”
informáticos.“Foram
eles próprios [os técnicos] que tiveram de estudar o sistema, às vezes
sem apoio de ninguém, dai ter demorado este tempo todo. O primeiro passo
foi conter o ataque”, assinalou.A
governante realçou ainda que o Plano de Recuperação e Resiliência
contempla uma verba de cerca de dois milhões de euros para promover a
cibersegurança da região.“Nós
vamos avançar com a cibersegurança em grande no Governo Regional, que
haverá, com certeza, depois, se alargar às outras empresas dependentes
do governo”, apontou.A
28 de junho, o secretário da Saúde do Governo dos Açores, Clélio
Meneses, reconheceu ter existido atrasos na divulgação dos testes
negativos à covid-19 na região devido ao ciberataque ao Hospital Divino
Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada.