Sismo na Turquia sentido nas redes sísmicas nacionais
6 de fev. de 2023, 17:06
— Lusa
Em declaração à
agência Lusa, o chefe de divisão de geofísica do Instituto Português do
Mar e da Atmosfera (IPMA), Fernando Carrilho, adiantou que se trata de
“um sismo de grande dimensão que é registado globalmente” e que “os
instrumentos são muito mais sensíveis. São capazes de detetar movimentos
muito mais pequenos, que escapam ao nosso sentido. Não tem nada de
excecional. O registo foi feito em Moncorvo, mas também em todos os
pontos da rede sísmica nacionais: Continente, Madeira e Açores”.De
acordo com Fernando Carrilho, os registos instrumentais são “feitos em
equipamentos de enorme sensibilidade, extremamente mais sensíveis do que
um ser humano, por exemplo”.Sobre o
contexto geológico da Turquia, o especialista salientou que o setor sul
do país “é marcado por uma situação tectónica particular (…), onde se
encontram três placas: Eurásia, a parte oriental de África e a Arábia”.A
intitulada junção tripla de placas, segundo Fernando Carrilho, “tem
origem numa estrutura tectónica de grandes dimensões que é capaz de
acumular energia ou stress para, uma vez libertado, corresponder a
magnitudes deste género”.“O sismo
principal, da 01:00, terá ocorrido um pouco a norte desse ponto triplo,
numa falha que é genericamente designada pela falha leste da Anatólia.
(…) Como é uma estrutura de grandes dimensões, ela é capaz de gerar
sismos como estes e maiores, inclusive”, observou.Fernando Carrilho disse ainda que o sismo registado hoje na Turquia e na Síria “é, claramente, acima daquilo que era conhecido”.“Embora
os sismos conhecidos nesta região, o de maior magnitude, salvo erro,
terá sido 7,3/7,4 [na escala de Richter], tratando-se de sismos
históricos, ocorridos no século XIX ou no século IV, mas nenhum deles,
conhecido pelo menos, com a magnitude como aquele que se verificou
hoje”, afirmou. Questionado também sobre
as semelhanças com Portugal continental, o chefe de divisão de geofísica
do IPMA sublinhou que são “ambientes diferentes”.“A
forma de contacto entre as placas é diferente, o nível de movimentação
entre elas é também diferente. Esta zona leste da Turquia tem uma
perigosidade sísmica que é considerada elevada à escala global, em
comparação com aquilo que acontece na zona de Portugal continental, onde
perigosidade é bastante mais baixa”, apontou.Já sobre a possibilidade de se prever um sismo de grandes dimensões, Fernando Carrilho disse à Lusa não ser possível. “Pela
atividade sísmica não é possível dizer: vai acontecer agora outro
terramoto de maior dimensão. Isso não é possível. Aí estamos a falar no
domínio da previsão sísmica e claramente não estamos lá”, sustentou. Mais
de 2.300 pessoas morreram hoje após um terramoto de magnitude 7,8 na
escala de Richter e das réplicas que atingiram o sul da Turquia e o
norte da Síria, segundo o balanço provisório das autoridades locais.Segundo
o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) o tremor de terra que
ocorreu hoje registou uma magnitude de 7,8 e sentiram-se dezenas de
réplicas.O sismo ocorreu às 04:17 (01:17
em Lisboa), a 33 quilómetros da capital da província de Gaziantep, no
sudeste da Turquia e próximo da fronteira com a Síria, a uma
profundidade de 17,9 quilómetros.O tremor
de terra atingiu o sudeste da Turquia e a Síria e é considerado o maior
desde 1939. O tremor de 7,8 de magnitude também se fez sentir no Líbano,
Chipre, Israel e Jordânia.