Sintap/Açores pede calendarização da integração dos trabalhadores da cooperativa Praia Cultural
8 de nov. de 2023, 13:09
— Lusa/AO Online
“O que nos foi dito é
que há vontade, quer da parte do Governo Regional, quer da parte da
Câmara Municipal [da Praia da Vitória], de haver esta integração do
pessoal. Ficámos sem saber como se vai processar esta integração, se vai
ser pela via dos contratos ARAAL [contratos de desenvolvimento entre a
administração regional autónoma e a administração local] ou se vai ser
através de uma figura da mobilidade”, afirmou, em declarações à Lusa, o
presidente do Sintap/Açores, Francisco Pimentel.A
Câmara Municipal da Praia da Vitória (PSD/CDS-PP), na ilha Terceira, e o
Governo Regional dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM) chegaram a
acordo para internalizar 29 funcionários da cooperativa Praia Cultural
no município e posteriormente afetá-los à administração pública
regional, através de um processo de mobilidade.Parte dos trabalhadores já tinha recebido indemnizações e deixado de trabalhar na cooperativa.O
acordo surge na sequência de uma iniciativa apresentada pelo BE e
aprovada no parlamento açoriano, no dia 20, que recomendava ao Governo
Regional que manifestasse disponibilidade para integrar na administração
pública regional os trabalhadores da cooperativa Praia Cultural em
processo de despedimento.O Sintap/Açores
já tinha reivindicado, em comunicado de imprensa, a assinatura de um
acordo escrito entre o executivo e a autarquia e hoje Francisco Pimentel
reuniu-se com a presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória,
Vânia Ferreira, para pedir mais informações sobre a forma como vai
decorrer o processo.“Queremos saber como é
que se vai verificar esta integração, quais as fases e os prazos para
se verificar esta integração e qual a data indicativa para que esta
integração se faça definitivamente nos quadros da administração
regional”, adiantou.O dirigente sindical
saudou a “existência de vontade política” para integrar os trabalhadores
nos quadros da administração regional, mas face a um processo “moroso,
complexo e traumatizante” para os funcionários pediu que sejam definidos
prazos para a resolução da situação. “Os
trabalhadores estão causticados, em termos de emoção, obviamente, e
muito descrentes, querem ver para crer. O que nós pretendemos é que seja
um processo calendarizado, com um ‘deadline’, para que as pessoas
possam saber com o que contam nos próximos tempos”, vincou.Na
terça-feira, a presidente do município da Praia da Vitória revelou que
seria assinado um memorando de entendimento entre a autarquia, o
executivo regional, a cooperativa, os funcionários em processo de
despedimento e os sindicatos representativos para oficializar a solução.O
presidente do Sintap/Açores disse ainda não ter sido informado da data
prevista para a assinatura do memorando, mas exigiu conhecer o seu
conteúdo e “fazer parte do documento”.Em
setembro, a presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória anunciou
que iria internalizar a cooperativa Praia Cultural e integrar no
município 92 dos 165 funcionários com contrato sem termo.Na altura, 35 funcionários já tinham aceitado rescisões por mútuo acordo e dois tinham sido absorvidos por outras entidades.Segundo a autarca, dos 36 trabalhadores que seriam despedidos até ao final do ano, sete aceitaram também rescisões.De
acordo com Francisco Pimentel, desses 36 trabalhadores, 33 aceitaram
devolver indemnizações e reintegrar a cooperativa Praia Cultural.