Sinistralidade rodoviária é "flagelo nacional" e vítimas devem ser apoiadas
17 de nov. de 2024, 17:37
— Lusa
“É, de facto,
um flagelo nacional que já dura há décadas” e “nos últimos anos tem
vindo a crescer”, disse o responsável da Estrada Viva – Liga de
Associações pela Cidadania Rodoviária, Mobilidade Segura e Sustentável.Em
Évora, à margem da cerimónia deste ano do Dia Mundial em Memória das
Vítimas da Estrada, Mário Alves apontou aos jornalistas que uma das
questões preocupantes é a do apoio a estas pessoas e a profissionais que
as socorrem, como os da GNR e do Instituto Nacional de Emergência
Médica (INEM).Os acidentes rodoviários
“são momentos traumáticos” e “é extremamente importante” esse apoio
“para as famílias que ficam” e “inclusivamente [para] as pessoas do INEM
ou da GNR, que São os primeiros muitas vezes a chegar” aos sinistros,
disse.“Porque estamos a falar de uma média
[anual] de 1.000 mortes nos últimos 20 anos e isto deixa também muitos
feridos para trás, muitas famílias flageladas e o apoio psicológico é
extremamente parco em Portugal”, destacou.Mário
Alves defendeu que “o Estado deve começar a investir no apoio às
famílias, apoio jurídico, apoio às forças policiais, GNR, INEM”, entre
outros setores.E, ao aludir à média de
1.000 mortos, o presidente da Estrada Viva comparou que “isso seria o
mesmo se em Portugal, todos os anos, caíssem cinco aviões jumbo”.“Imediatamente, se isso acontecesse a nível nacional, os aeroportos fechavam no dia a seguir”, sentenciou.E
a isto juntam-se ainda os feridos e os impactos que os acidentes
provocam numa família, frisou: “Temos que apoiar as pessoas, tanto
psicologicamente como juridicamente e mesmo ao nível de saúde. É um
problema de saúde pública”.Nas declarações
aos jornalistas, Mário Alves destacou também os acidentes ocorridos
dentro das localidades e as velocidades elevadas a que os condutores
circulam em meio urbano.“Tem havido um
desprezo bastante grande, principalmente dentro das zonas urbanas”, em
relação à sinistralidade, afirmou, considerando tratar-se de “um
problema essencialmente autárquico”.“Os
ciclos de quatro anos das autarquias não levam a que os autarcas se
preocupem muito com a questão da sinistralidade rodoviária”, criticou,
sustentando que é preciso acautelar que a velocidade dentro das zonas
urbanas “seja menor, principalmente os 30 quilómetros por hora, que é
algo que Portugal assinou na Declaração de Estocolmo, há quatro anos”.Portugal
“já devia estar a implementar isso porque assinou esta declaração”, mas
não o faz, enquanto, “em Espanha, neste momento, já 70% da rede viária é
30 quilómetros por hora dentro das localidades”, notou.A
cerimónia nacional em Évora do Dia Mundial em Memória das Vítimas da
Estrada, promovida pela Estrada Viva e pela Associação GARE, incluiu uma
missa, marcha lenta entre a Praça do Giraldo e o Jardim da Memória, com
deposição de varas no memorial, e outras atividades.Os
dados mais recentes da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária
(ANSR) indicam que, nos primeiros seis meses deste ano, se registaram
17.154 acidentes com vítimas que provocaram 214 vítimas mortais, 1.184
feridos graves e 19.967 feridos ligeiros. A
ANSR compara os números com o mesmo período de 2014, sublinhando “a
tendência crescente” na última década, em que os acidentes aumentaram
22%, as vítimas mortais 3,4%, os feridos graves 26,% e feridos ligeiros
18,9%.