Sinistrados no Trabalho criticam Constitucional por decisão sobre pensão por acidente
26 de dez. de 2017, 11:36
— Lusa/AO online
Num
comunicado publicado no seu site na internet, a associação sediada no
Porto manifestou-se contra o recente acórdão do Tribunal Constitucional
que constituiu, para a ANDST, um "sério revés" nos direitos dos
trabalhadores em funções públicas, negando "provimento ao pedido de
inconstitucionalidade do artigo 41.º do Decreto-Lei 503/99 de 20 de
novembro", apresentando pelo Provedor de Justiça. "Na
verdade, se um trabalhador em funções públicas vítima de acidente de
trabalho, por exemplo, amputação de uma perna, ou de doença
profissional, por exemplo, neoplasia pulmonar, ficar com uma
incapacidade permanente de 70%, só recebe pensão depois da aposentação,
sendo que o montante da mesma ser-lhe-á retirado do valor da sua
reforma", descreve a associação sobre a legislação mantida pelos juízes
do Palácio Ratton.No
acórdão 786/2017 o TC determinou, por maioria, "que os trabalhadores em
funções públicas não têm o direito a acumular a pensão devida por
acidente de trabalho ou por doença profissional com a retribuição do
trabalho, negando provimento ao pedido do Provedor de Justiça da
inconstitucionalidade do artigo 41.º do Decreto-Lei 503/99 de 20 de
novembro" por "violação do princípio da igualdade entre trabalhadores do
privado e público de receberem pensões por incapacidade permanente em
consequência de acidente de trabalho ou de doença profissional"."Esta
decisão não unânime do Tribunal Constitucional é uma "machadada forte e
feia" nos direitos dos trabalhadores quando vítimas de acidente ou de
doença em contexto laboral", reiterou a ANDST, explicado que se ao
trabalhador acidentado "lhe for atribuído um valor de 1.000 euros
relativo à sua aposentação e se, por outro lado, lhe for atribuída uma
prestação por acidente de trabalho ou por doença profissional de 250
euros, apenas receberá 750 euros pela sua aposentação. Mas, no caso de
falecer antes da reforma, a família nada irá receber".Lamentando
que o acórdão do TC "confirme que as leis de acidente de trabalho ou de
doença profissional são as leis dos pobres", a ANDST anunciou que vai
"apelar ao bom senso dos deputados da Assembleia da República", a fim de
que sejam criadas "leis que defendam os direitos dos trabalhadores
quando no trabalho, e enquanto trabalham, sofrem acidentes ou doenças".