Sindicatos sugerem “solução híbrida” para financiar a TAP
8 de jul. de 2020, 12:17
— LUSA/AO online
Num comunicado, assinado pelo Sindicato dos
Economistas (SE), Sindicato dos Engenheiros (SERS), Sindicato dos
Contabilistas (SICONT), Sindicato das Indústrias Metalúrgica e Afins
(SIMA), Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil (SINTAC),
Sindicato dos Quadros da Aviação Comercial (SQAC) e pelo Sindicato dos
Técnicos de ‘Handling’ de Aeroportos (STHA), as estruturas mostram
discordância com a solução encontrada pelo Governo para a injeção de
1.200 milhões de euros na TAP.Os
sindicatos sugerem, “clara e inequivocamente, uma solução híbrida onde
se apresenta 600 milhões de euros” pelo quadro temporário referente à
covid-19, 300 milhões de euros pelo “dano económico provocado pelo
encerramento das fronteiras entre Estados-membros europeus (a ser
devolvido até ao prazo máximo de 7 anos)”, e “por fim, e se necessário,
300 milhões de euros para resgate e reestruturação do grupo”, lê-se na
mesma nota.As estruturas acreditam que
assim e “sem despedimentos” e “redimensionamento violento e profundo, se
cumpriria desde logo no capítulo 'medidas de contribuição própria'”.“Não
aceitaremos reestruturações à custa de postos de trabalho, e do corte
na qualidade dos mesmos”, asseguraram os sindicatos na mesma nota.“No
cenário europeu seremos (se nada se alterar) a única companhia aérea
europeia a não beneficiar do quadro temporário exclusivo covid”,
indicaram, acrescentando que a TAP não irá também receber no âmbito dos
auxílios provocados pelo encerramento das fronteiras entre Estados
europeus, “sendo o Estado – soberano – português o único que não
‘conseguiu’ – claramente não o desejou e muito menos se preparou para
tal – aceder aos quadros supra descritos, mais vantajosos, desde logo
nas maturidades de devolução, a par da possibilidade do fundo perdido”,
lê-se na mesma nota.No dia 10 de junho, a
Comissão Europeia aprovou um "auxílio de emergência português" à TAP, um
apoio estatal de 1,2 mil milhões de euros para responder às
"necessidades imediatas de liquidez" com condições predeterminadas para o
seu reembolso."A Comissão Europeia
aprovou, ao abrigo das regras comunitárias em matéria de auxílios
estatais, os planos de Portugal de conceder um empréstimo de emergência
de 1,2 mil milhões de euros a favor da TAP", anunciou o executivo
comunitário, notando que a medida visa dotar a transportadora de
bandeira "dos recursos necessários para fazer face às suas necessidades
imediatas de liquidez, sem afetar indevidamente a concorrência no
mercado único".Porém, uma vez que a TAP já
estava numa débil situação financeira antes da pandemia de covid-19, a
empresa "não é elegível" para receber uma ajuda estatal ao abrigo das
regras mais flexíveis de Bruxelas devido ao surto, que são destinadas a
"empresas que de outra forma seriam viáveis"."Por
conseguinte, a Comissão apreciou a medida ao abrigo das suas
orientações relativas aos auxílios de emergência e à reestruturação, que
permitem aos Estados-membros apoiar empresas em dificuldade, desde que,
em especial, as medidas de apoio público sejam limitadas no tempo e no
âmbito e contribuam para um objetivo de interesse comum", sustentou o
executivo comunitário.Em concreto, "as
autoridades portuguesas comprometeram-se a reembolsar o empréstimo ou a
apresentar um plano de reestruturação no prazo de seis meses, a fim de
assegurar a viabilidade futura da TAP", adiantou a Comissão Europeia,
explicando assim que deu o seu aval também tendo em conta que a aviação
foi um setor particularmente atingido pela covid-19, dada a suspensão
das viagens.