Sindicatos ouvidos pelo Ministério do Ensino Superior divididos entre otimismo e desilusão
15 de nov. de 2021, 18:46
— Lusa/AO Online
Depois
de os sindicatos terem apontado críticas ao Governo pela aprovação do
regime em causa sem negociação, o ministro Manuel Heitor sentou-se hoje à
mesa com o Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESup), a Federação
Nacional da Educação (FNE) e Federação Nacional dos Professores
(Fenprof).Com
posições divergentes sobre o diploma em discussão, o balanço que os
representantes fizeram do encontro foi também diferente, com os
sindicatos e estruturas sindicais a dividirem-se entre o otimismo e a
desilusão perante a abertura aparentemente manifestada pela tutela.“No
limite, esta reunião foi para cumprir um formalismo legal que obriga o
Governo à negociação coletiva”, afirmou em declarações à agência Lusa o
vice-presidente do SNESup, que foi o primeiro sindicato a ser ouvido.Em
cima da mesa esteve o regime aprovado na generalidade pelo Governo em
04 de novembro que pretende reforçar o acesso e a progressão contínua a
careiras docentes e científicas.Apesar
de reconhecer que o diploma dá passos em frente, Romeu Videira
considerou que é insuficiente e a maneira errada de responder aos
problemas desses profissionais e, fazendo um balanço negativo do
encontro, antecipou que o executivo não acolherá as suas propostas.“Estas
alterações, a ocorrerem, deveriam ocorrer em sede de revisão do
estatuto”, defendeu, justificando que a valorização das carreiras deve
ser “vista no conjunto”, prevendo também uma série de outras questões.Da
parte da FNE, o secretário executivo José Luís Abrantes manifestou-se
satisfeito com a proposta do Governo, apontando apenas algumas questões
“muito específicas” que devem ser clarificadas.“A
nossa avaliação é bastante positiva”, sublinhou o sindicalista,
considerando que o regime permitirá simplificar o acesso aos concursos.
E, admitindo que existe margem para melhorar, acrescentou: “Estamos
muito otimistas com a abertura do Governo para acolher essas propostas”.Em
comunicado, a FNE precisa que o decreto-lei não resolve o problema de
competição pelos lugares disponíveis nas diferentes instituições de
ensino superior e sugere o recurso a concursos internacionais,
defendendo também que a legislação seja acompanhada por um reforço no
financiamento às universidades e politécnicos.Já
ao final da tarde, o secretário-geral da Federação Nacional dos
Professores (Fenprof) manifestou-se também otimista, relatando que o
ministro Manuel Heitor mostrou abertura para acolher algumas das
propostas apresentadas pelos vários sindicatos e se comprometeu a enviar
em breve uma nova versão do decreto.Quanto
ao diploma em discussão, Mário Nogueira considerou “extremamente
limitado naqueles que são os problemas de carreira”, e propôs, por isso,
duas alterações: que os investigadores com contratação a termo há mais
de cinco anos possam candidatar-se aos concursos internos e que possam
ser abertos concursos mesmo que só haja um candidato, baseando-se assim o
regime no seu "mérito absoluto".Segundo
o secretário-geral da Fenprof, o ministro mostrou abertura para
introduzir a segunda proposta no novo documento e, por isso, o dirigente
sindical está otimista e espera que pelo menos essa questão esteja
contemplada.Quando
o diploma em causa foi aprovado em reunião de Conselho de Ministros, há
pouco mais de uma semana, o executivo defendeu que o regime “representa
um passo importante na opção de reforço das carreiras públicas de
ensino e investigação científica, devendo ser enquadrada na evolução da
última década e nos termos de melhor posicionar Portugal no contexto
europeu”.Em
maio, o ministro da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior, Manuel
Heitor, divulgou aos parceiros um documento preparatório para um “pacto
para o reforço de instituições e carreiras científicas”.Na
altura, em declarações à Lusa, o ministro disse que pretendia “chegar a
um compromisso” com universidades, institutos politécnicos,
laboratórios, sindicatos e associações de bolseiros e investigadores
para o país ter “melhores carreiras” e “melhor ciência”.