Sindicatos exigem que Governo defenda “interesses nacionais” face a medidas antitabágicas da OMS
20 de out. de 2025, 17:37
— Lusa/AO Online
Em causa estão as recomendações em discussão
para a 11.ª Conferência das Partes (COP11) da Convenção Quadro da
Organização Mundial da Saúde (OMS) para o Controlo do Tabaco (CQCT), que
decorre de 17 a 22 de novembro em Genebra (Suíça), e que incluem a
proibição da venda de tabaco com fins lucrativos em bombas de gasolina,
papelarias e lojas de conveniência, assim como a proibição de filtros.
Em comunicado, o Sindicato Nacional da Indústria e da Energia (Sindel) e
o Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de
Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (Sintab) sustentam que estas
medidas “representam uma ameaça direta a milhares de postos de trabalho
em Portugal e a toda a cadeia de valor ligada ao setor” e apelam ao
Governo para que “publicamente tome uma posição”.
“Estamos a falar de medidas que, a serem aplicadas, podem acabar com
postos de trabalho que afetam milhares de famílias e pôr em causa o
futuro de uma das maiores indústrias exportadoras do país”, alertam os
sindicatos. Embora sem questionar “a
importância da saúde pública”, as estruturas sindicais sustentam que
“não se pode sacrificar o emprego e o sustento das famílias”.
“O que a OMS está a propor - e a Comissão Europeia acompanha - é
incompreensível. Querem proibir o lucro num setor que é legal, que paga
impostos, que cumpre regras e que garante milhares de empregos. Isto é
um ataque direto aos trabalhadores e à economia portuguesa”, argumentam.
Neste sentido, o Sindel e o Sintab exigem ao Governo português que
"defenda de forma urgente e pública os interesses nacionais na COP11” e
que “não aceite medidas cegas e ideológicas, que possam destruir um
setor que tem cumprido as suas obrigações e tem vindo a investir
continuamente na inovação e redução de riscos”.
Os sindicatos apelam também à Tabaqueira – produtora nacional de tabaco
sediada em Albarraque, que emprega diretamente 1.500 trabalhadores e
indiretamente mais de 3.000 - para que “envolva os representantes dos
trabalhadores neste debate e garanta a defesa dos postos de trabalho e
da produção em Portugal”. “Portugal não
pode ser penalizado por políticas internacionais que ignoram a realidade
económica e social dos países produtores. O futuro da indústria - e de
milhares de famílias - não pode ser decidido em gabinetes distantes, sem
ouvir quem trabalha todos os dias”, enfatizam.
Segundo as estruturas sindicais, as medidas da OMS atualmente em cima
da mesa ameaçam toda a cadeia de valor do setor do tabaco, “desde
trabalhadores industriais que produzem, a transportadores e
distribuidores que asseguram a logística, pequenos comerciantes e
empresas de retalho que dependem das vendas legais de tabaco e serviços
associados como limpeza, segurança e manutenção”.
A Convenção Quadro da OMS para o Controlo do Tabaco (CQCT) é um tratado
internacional, do qual Portugal e a União Europeia são partes, que visa
proteger as gerações presentes e futuras das consequências do tabaco. A
Conferência das Partes da CQCT (COP) é o órgão que reúne os países
signatários para discutir e aprovar medidas globais de controlo de
produtos do tabaco e nicotina. Embora estas medidas não tenham caráter vinculativo, servem como diretrizes para os Estados-membros da COP. Recentemente,
também a Tabaqueira e a Fábrica de Tabaco Micaelense advertiram que as
medidas defendidas pela OMS podem ameaçar a sustentabilidade de
“milhares de pequenas empresas” da cadeia de valor do tabaco e favorecer
o “comércio ilícito”. Já as associações
representativas dos setores da distribuição, abastecimento de
combustíveis e hotelaria/restauração manifestaram “preocupação”,
alertando para o impacto destas medidas na economia e na promoção dos
mercados ilegais.