Sindicatos e Ministério da Saúde reúnem-se para nova ronda de negociações
19 de out. de 2023, 10:18
— Lusa/AO Online
Na última reunião negocial, o
ministro da Saúde apresentou ao Sindicato Independente dos Médicos (SIM)
e à Federação Nacional dos Médicos (Fnam) uma proposta que prevê um
novo modelo remuneratório e um suplemento de 500 euros mensais para os
médicos que realizam serviço de urgência e a possibilidade de poderem
optar pelas 35 horas semanais.No final da
reunião, os sindicatos médicos assinalaram a abertura manifestada pelo
Ministério da Saúde, mas exigem conhecer todos os detalhes da proposta
de diploma. A Fnam, que convocou a greve e
disse que a adesão de cerca de 90% reflete a falta de confiança destes
profissionais nas políticas do Ministério da Saúde, defende que o
aumento salarial tem que ser transversal para todos os médicos “e não à
custa de subsídios e suplementos”.O SIM
alertou que os sindicatos ainda não conhecem a proposta do executivo e
que, apesar de alguma abertura, "há ainda um oceano a separar as duas
partes". Para o secretário-geral do SIM,
Jorge Roque da Cunha, “não basta o Governo anunciar uma proposta, é
preciso que haja medidas concretas em relação àquilo que é anunciado por
parte do Governo”.A presidente da Fnam,
Joana Bordalo e Sá, garantiu que “a Federação Nacional dos Médicos está
de boa-fé” nesta negociação, mas quer uma proposta por escrito e quer
“conhecer o que o Governo resolveu legislar unilateralmente em Conselhos
de Ministros sobre o novo regime de dedicação plena e a questão das
Unidades de Saúde familiar”.O ministro da
Saúde, Manuel Pizarro, defendeu na terça-feira em Olhão, no Algarve, que
a sua proposta de aumentos salariais dos médicos até 50% não pode ser
desvalorizada.“Eu acho que todos os
portugueses e os médicos, incluindo, têm consciência de que quando nós
estamos a propor aumentos salariais, que são nuns casos de 23%, noutros
casos de 32% e, noutros casos, […] o aumento é mesmo de 50%. Não estamos
a falar de aumentos que se possam desvalorizar”, salientou Manuel
Pizarro.O governante assegurou que irá
ainda elaborar “um documento com maior detalhe técnico” do que aquele
que já foi distribuído e considerou não é a falta desse texto “que
impedirá a conclusão das negociações”, que espera que irão chegar a “bom
termo”.A Fnam tem agendada nova greve para os dias 14 e 15 de novembro, caso não chegue a acordo com o Ministério da Saúde.Além
das greves, os médicos também têm manifestado o seu descontentamento,
através da entrega, por cerca de 2.500 clínicos, de minutas de
declarações de dispensa ao trabalho extraordinário além das 150 horas
anuais obrigatórias, que tem provocado constrangimentos nos serviços de
urgência de vários hospitais do Serviço Nacional de Saúde.