Sindicatos e Governo com visões opostas sobre acesso a processos administrativos
Hoje 09:31
— Lusa/AO Online
A
iniciativa, que esteve em discussão na Comissão de Política Geral da
Assembleia Legislativa dos Açores, reunida em Ponta Delgada, pretende
acabar com o “calvário” de muitos açorianos que sentem dificuldade em
obter informação sobre o requerimento, pedido de informação ou de
licenciamento, depois de entrar na Administração Pública Regional.“O
cidadão liga para saber do seu processo. A telefonista, ao fim de dez
minutos, porque tem muitas chamadas, atende, depois passa para o serviço
X, porque não sabe se o processo está lá, o serviço X diz que o
processo não está lá, está na Divisão tal, depois passa para essa
Divisão, mas afinal o técnico não está, pede para ligar mais tarde. Já
viu o calvário!?”, questiona Hélia Cardoso, deputada do Chega, para
justificar a medida.Para o representante
do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública (SINTAP) nos
Açores, Luís Neves, a proposta do Chega esbarra em algumas restrições
que já existem na legislação em vigor.“Temos
que atender às restrições que constam no Código de Procedimento
Administrativo, sem prejuízo no disposto na lei, em matérias relativas à
segurança interna e externa, à investigação criminal, ao sigilo fiscal e
à privacidade das pessoas”, alertou aquele dirigente sindical, durante a
audição parlamentar.Também João Decq
Mota, do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais dos
Açores (STFPSSRA), levantou dúvidas sobre o alcance da medida
legislativa, que considerou poder ser inconstitucional.“Temos
sérias dúvidas sobre a bondade, mérito e constitucionalidade deste
projeto de Decreto Legislativo Regional. Para além da sua duvidosa
constitucionalidade orgânica, temos sérias reservas sobre a sua
conformidade no plano material”, explicou o sindicalista.Ao
contrário dos sindicatos, o Governo Regional, que
necessita do apoio parlamentar do Chega, entende que a medida do
preponente é boa e vem trazer mais “transparência” à Administração
Pública Regional.“Esta iniciativa é, não
só legítima, como positiva, porque procura ter como objetivo dar mais
transparência aos procedimentos administrativos, por um lado, e, por
outro lado, visa também que os cidadãos possam acompanhar com mais
proximidade a tramitação dos seus processos”, justificou o secretário
regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública, Duarte
Freitas, também ouvido pelos deputados.O
governante garantiu que o executivo açoriano, liderado pelo
social-democrata José Manuel Bolieiro, está já a trabalhar no sentido de
garantir não apenas mais transparência nos procedimentos
administrativos, mas também facilitar o acesso à informação por parte
dos cidadãos.“Este ‘design’ de sistemas do
Governo dos Açores será complementado com uma imagem coerente e global,
num catálogo eletrónico de serviços da Administração Pública Regional,
que vai concentrar, num único local, a informação sobre entidades,
serviços e pontos de atendimento”, adiantou Duarte Freitas.A
Associação de Municípios dos Açores (AMRAA) também ia ser ouvida sobre a mesma matéria, mas avisou na segunda-feira que, afinal, não
tinha disponibilidade de agenda, justificação que levou alguns deputados
a exigirem “mais respeito” para com o parlamento açoriano.