Sindicatos dos enfermeiros exigem contratação de precários em documento reivindicativo
21 de set. de 2021, 15:55
— Lusa/AO Online
Em
conferência de imprensa, a presidente da Associação Sindical Portuguesa
dos Enfermeiros (ASPE), Lúcia Leite, exigiu a abertura do diálogo e
negociações conjuntas, em representação de todos os sindicatos da classe
profissional."Os
enfermeiros estiveram sempre disponíveis nesta pandemia. Estamos a
chegar a uma fase em que as coisas estão mais controladas, por isso está
na altura de resolver os problemas que os enfermeiros já tinham e
continuam a ter", frisou.Algumas
exigências incluem "a contratação dos enfermeiros que estão em situação
precária", uma avaliação de desempenho "adequada à profissão", a
"correção dos problemas relativos à contagem de pontos" e "condições
iguais para enfermeiros com contratos individuais de trabalho e
contratos em funções públicas".A
dirigente sindical reconheceu que "o Ministério da Saúde teve problemas
em olhar para todo o lado em simultâneo" e que "não é na guerra que se
limpam as armas", mas expressou preocupações em relação à situação dos
profissionais de saúde."A
propaganda que tem aparecido na comunicação social incomoda-nos. Nós
não alimentamos as nossas famílias a palmas e não nos sentimos
satisfeitos quando ouvimos discussões políticas sobre ordenados mínimos
de 850 euros quando pagam 1200 euros aos enfermeiros para fazer um
trabalho tão penoso", afirmou.Os
sindicatos exigem a criação de "uma carreira que valorize os
enfermeiros, que os pague condignamente e que vá ao encontro das
necessidades de progressão de todos"."Sabemos
que somos o maior grupo profissional do Serviço Nacional de Saúde e que
o impacto orçamental é grande, mas isso não pode ser desculpa para
sermos tratados de forma diferenciada, valorizando outras profissões e
ignorando constantemente os enfermeiros", salvaguardou.Lúcia
Leite avisou que os enfermeiros terão "de sair para a rua um dia
destes" se a tutela não os ouvir depois de darem uma "oportunidade de
resolver [os problemas] sem lutas e sem greves".Os
representantes da ASPE, do Sindicato dos Enfermeiros (SE), do Sindicato
dos Enfermeiros Portugueses (SEP), do Sindicato dos Enfermeiros da
Região Autónoma da Madeira (SERAM), do Sindicato Democrático dos
Enfermeiros de Portugal (SINDEPOR), do Sindicato Independente
Profissionais de Enfermagem (SIPEnf) e do Sindicato Independente de
Todos os Enfermeiros Unidos (SITEU) entregaram o documento no
Ministério, mas expressaram desagrado para com o modo como foram
recebidos."Fomos
recebidos em frente aos elevadores, no átrio, e isso deve demonstrar
aquilo que os enfermeiros valem para o Ministério da Saúde. Tenho pouco
mais a dizer [para além disto]", resumiu Lúcia Leite em representação da
totalidade dos sindicatos.