Sindicatos discordam da bonificação do Governo para fixar docentes nos Açores
25 de fev. de 2019, 12:39
— Lusa/AO Online
O
executivo socialista publicou uma portaria, na passada semana, que
determina uma bonificação de 0,5 pontos por cada ano escolar de serviço
docente prestado pelos professores que desempenhem funções nas ilhas de
Santa Maria, Flores e Corvo, e na Escola Básica e Integrada do Topo, na
ilha de São Jorge.A
medida é, no entanto, contestada pelo Sindicato de Professores da
Região Açores (SPRA) e pelo Sindicato Democrático dos Professores dos
Açores (SDPA), que lembram que os docentes só poderão aceder a esta
bonificação quando concorrerem, em concurso de provimento interno, para
colocação noutras escolas."Consideramos
que é uma medida que não corresponde aos objetivos da tutela, que é
fixar os professores, porquanto os professores, que vão para estas ilhas
e fiquem lá três anos, têm uma bonificação, depois, no concurso
interno, para poderem sair da ilha e poderem ultrapassar outros
docentes", disse à Lusa António Lucas, do SPRA.Opinião
idêntica tem José Gaspar, do SDPA, que lamenta que os docentes com
bonificação possam vir a "ultrapassar 10, 15, 20 ou 30 colegas que
estavam numa lista graduada, não por mérito, mas pela oportunidade de
estar numa escola, num determinado momento", solução que considera não
ser a "adequada" para a fixação de professores no arquipélago.Os
sindicatos de professores defendem, em alternativa, a criação de
"verdadeiros apoios" à fixação de professores em ilhas mais periféricas,
nomeadamente através de aumentos salariais e de ajudas ao arrendamento,
por exemplo.Rodrigo
Reis, diretor regional da Educação, desvaloriza as críticas das
estruturas sindicais e lembra que esta bonificação já estava prevista há
muito tempo, pelo Decreto Legislativo Regional de 2017, que procedeu à
alteração do regulamento do concurso de pessoal docente."É
verdade que esta bonificação só é considerada quando os professores
concorrerem para o concurso interno de provimento, mas é mesmo assim. Se
o professor não concorrer, significa que continua naquela escola",
explicou o diretor regional, adiantando que o objetivo deste apoio foi
"criar algum benefício para todos aqueles docentes que também conseguem
proteger o sistema educativo regional".A
bonificação agora regulamentada pelo Governo, de meio ponto por ano,
até ao máximo de três pontos, produz efeito para os concursos internos
de provimento, a realizar a partir do ano letivo 2019/2020 e até ao ano
letivo 2023/2024.