Sindicatos da função pública reúnem-se com Governo à espera de aumentos superiores a 0,3%
10 de fev. de 2020, 09:50
— Lusa/AO Online
Depois de uma greve nacional na Administração
Pública, em 31 de janeiro, os representantes dos trabalhadores da função
pública voltam à mesa de negociações porque o Governo declarou que
existe margem orçamental para discutir aumentos acima dos 0,3% já
decretados.Inicialmente, quando o Governo
anunciou que os aumentos salariais na administração Pública iriam ser de
0,3% em 2020, as três estruturas sindicais que negoceiam em nome dos
trabalhadores do setor consideraram a proposta inaceitável e
provocatória, sobretudo porque os funcionários públicos não têm aumentos
salariais gerais desde 2009.A Frente
Comum de Sindicatos da Administração Pública, a Federação Sindical da
Administração Publica e a Frente Sindical protestaram contra o valor
apresentado pelo Governo e contra a impossibilidade de negociarem um
valor mais justo.A Frente Comum, filiada
na CGTP, convocou em dezembro uma manifestação nacional para 31 de
janeiro contra a proposta de aumentos salariais de 0,3%, a que se seguiu
o anúncio de greves nacionais por parte das estruturas da UGT, a
Federação Sindical da Administração Pública (Fesap) e a Frente Sindical
liderada pelo Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE). A
greve dos funcionários públicos encerrou no último dia de janeiro mais
de 1.500 escolas e centenas de serviços públicos e adiou consultas
hospitalares, trazendo às ruas de Lisboa mais de seis mil trabalhadores
que quiseram manifestar o seu descontentamento ao Governo.No
entanto, a proposta de Orçamento do Estado para 2020 acabou por ser
aprovada na quinta-feira, sem as alterações que os funcionários públicos
desejavam, ou seja, sem que se vislumbre a possibilidade de um aumento
salarial para este ano que os compense pelas perdas da última década.Mas, o governo convocou, em meados de janeiro, os sindicatos para uma nova reunião negocial, que se irá realizar hoje.A
ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública afirmou,
no dia da greve, que existe "margem orçamental" para negociar com os
sindicatos da função pública, o que levou a convocar as estruturas
sindicais para a reunião de hoje.