Sindicatos da Eletricidade dos Açores dizem que custos com pessoal aumentaram 22% em 10 anos
10 de set. de 2021, 15:23
— Lusa/AO online
"À
luz dos documentos analisados, os sindicatos subscritores não têm
qualquer dúvida em afirmar que, entre 2010 e 2020 (10 anos), os gastos
com pessoal cresceram 22% (média de 2,2% ao ano), ou seja, menos 1% do
que o anunciado para o período de quatro anos, 2016-2020", lê-se num
comunicado de imprensa assinado pelo Sindicato das Indústrias Elétricas
do Sul e Ilhas (SIESI), pelo Sindicato Nacional da Indústria e da
Energia (SINDEL) e pelo Sindicato da Energia (SINERGIA).Em
causa está uma conferência de imprensa do deputado regional e líder do
PPM (partido que integra a coligação de governo nos Açores), Paulo
Estêvão, realizada em 11 de maio.Na
altura, Paulo Estêvão disse que seria revertida a política de admissão
de pessoal no grupo EDA, alegando que, entre 2016 e 2020, os gastos com
pessoal "aumentaram cerca de 23%" e, só em 2020, se registaram 76 novas
admissões."Não
existirão mais admissões sem que sejam devidamente justificadas e que
seja devidamente aproveitado o potencial que já existe em termos humanos
na empresa", assegurou.Os
sindicatos alegam que "só agora, com a publicação do Relatório e Contas
2020" conseguiram "reunir os dados necessários para efetuar uma análise
ponderada dos números".Em
comunicado, protestaram "contra a forma leviana" com que o deputado
monárquico disse que os gastos da EDA com pessoal tinham aumentado cerca
de 23%, em quatro anos."Entendemos,
agora, que a raiz da lastimável e completamente infundada afirmação do
deputado do PPM é, justamente, a ata da reunião da assembleia geral da
EDA, realizada a 30 de abril", adiantaram, em comunicado.Segundo
os sindicatos, esta ata transcreve uma declaração de voto do acionista
maioritário, a Região Autónoma dos Açores, em é dito que se assistiu "ao
aumento do número de colaboradores, quer na empresa mãe, quer nas suas
participadas, acompanhado no correspondente de gastos com pessoal (em 4%
ou 1 236,4 mil euros em valores absolutos, por comparação ao exercício
de 2019)" e que "em apenas quatro anos, de 2016 a 2020, os gastos com
pessoal aumentaram mais de 23%"."Trata-se
de um número que, apresentado desta forma, transmite para a opinião
pública a ideia de que os trabalhadores da EDA terão tido, em média, um
aumento salarial de 5,75% ao ano", avançaram.Os
sindicatos salientaram que entre 2011 e 2018, devido à [intervenção da]
'troika', os trabalhadores da EDA "sofreram reduções salariais, cortes
de subsídios e consequente congelamento da progressão das carreiras
profissionais".Essa
poupança "gerou um aumento dos resultados positivos que justificaram os
dividendos entregues aos acionistas e/ou o incremento da rubrica
'resultados transitados'"."O
SIESI, o SINDEL e o SINERGIA deixam o repto aos acionistas e à
administração: os trabalhadores da EDA pretendem recuperar tudo o que
perderam nos anos da 'troika' e obter um nível remuneratório alinhado
com as restantes empresas do setor energético em Portugal continental e
na Madeira", dizem.Os
sindicatos alertam que "a empresa de Eletricidade da Madeira está a
efetuar essa recuperação a um ritmo da ordem dos 2% ao ano".Segundo
os sindicatos, os cortes em remunerações e benefícios dos trabalhadores
da EDA já resultaram "num diferencial negativo médio de 35%
relativamente ao panorama vivido no setor energético nacional".O
comunicado refere ainda que é "evidente a diferença de tratamento nas
convenções coletivas negociadas nos Açores quando comparadas com as
assinadas a nível nacional - colocando sempre os trabalhadores açorianos
em desvantagem".Questionado pela Lusa, o deputado do PPM reafirmou os números que apresentou em maio, reiterando que são “exatos”.“Os
sindicatos falam de aumento de vencimentos e eu não falei no aumento de
vencimentos. Falei do aumento de despesas com pessoal. São duas coisas
diferentes”, salientou, acrescentando que esse aumento se justifica não
apenas pelo aumento de vencimentos, como pelo aumento de trabalhadores e
pela recuperação de rendimentos perdidos durante o período da 'troika'.Paulo
Estêvão disse que os trabalhadores da EDA, “dentro das possibilidades
da empresa, devem ver as suas carreiras valorizadas”, mas acusou os
sindicatos de “instrumentalizar os trabalhadores no âmbito da atual luta
política”.