Sindicatos convocam manifestação de professores para 04 de março
5 de dez. de 2022, 13:32
— Lusa/AO Online
O
protesto, que se realiza a um sábado, e que Mário Nogueira espera
reunir milhares de professores à semelhança da manifestação de 2008, foi
convocado pela Fenprof, a ASPL, a Pró-Ordem, o SEPLEU, SINAPE, SINDEP,
SIPE e SPLIU.Em conferência de imprensa,
na Escola Secundária de Camões, em Lisboa, o secretário-geral da Fenprof
explicou que um dos motivos é o processo negocial em curso sobre o
regime de recrutamento e mobilidade de professores, que será retomado a
partir do início do próximo ano, mas não é o único e, por isso, a
manifestação irá manter-se independentemente da forma como decorrerem as
próximas reuniões com o Ministério da Educação. "A
grande manifestação não será uma manifestação por causa dos concursos,
do salário, ou por causa de um assunto concreto. Terá um grande lema",
afirmou, sublinhando que “a profissão de professor tem de ser uma
profissão com futuro e para isso tem de ser atrativa, dar estabilidade e
ser valorizada”.Além do regime de
recrutamento, Mário Nogueira referiu questões salariais, a
contabilização do tempo de serviço, as vagas no acesso aos 5.º e 7.º
escalões, o envelhecimento da classe docente, a precariedade, a
valorização da profissão e as recentes alterações no regime de
mobilidade por doença.“O Ministério da
Educação, além dos concursos, tem de estar disponível para negociar
outras matérias e sabe bem quais são, porque repetidamente as temos
colocado nas reuniões e repetidamente têm sido adiadas”, afirmou.Para
já, a greve não foi opção para as oito estruturas sindicais, mas Mário
Nogueira não a afasta, remetendo para um momento mais adequado, e admite
a possibilidade de paralisações mais prolongadas, em vez de um dia de
greve nacional, mas em moldes que não prejudiquem os professores.Defendendo
que os professores não podem suspender a sua ação, o dirigente sindical
considera que “não tem sentido, neste momento, entrarmos em determinado
tipo de ações absolutamente radicalizadas num momento em que está
suspensa a negociação”.“O tempo não é de
ficar de braços caídos, mas também não é, na nossa opinião, de mergulhar
no escuro e irmos fazer lutas que não se sabe como delas se sai”,
acrescentou, sem referir diretamente a greve por tempo indeterminado,
convocada pelo Sindicato de Todos os Professores.Além
da manifestação, os sindicatos vão lançar um abaixo-assinado, em que
defendem a valorização da profissão e um “regime justo de concursos”,
opondo-se a algumas das propostas apresentadas pelo Ministério da
Educação nas reuniões negociais anteriores.O
abaixo-assinado será entregue ao ministro João Costa na próxima
reunião, que ainda não foi agendada, dependendo da proposta de
decreto-lei que a tutela apresentar.Entre
os dias 12 e 15 de dezembro, os sindicatos vão organizar vigílias em
todo o país para os professores discutirem e aprovarem moções sobre a
revisão do regime de recrutamento e mobilidade.Ainda
sem data definida, no início do segundo período e já com base na
proposta do Ministério da Educação, será marcado um “dia D”, com a
paralisação das escolas durante a manhã “para refletir e debater” o
documento e outras ações de luta.