Sindicatos com esperança na sensibilidade de Barros Correia para os Açores
5 de set. de 2023, 07:10
— Nuno Martins Neves
O
superintendente chefe Barros Correia exerceu o cargo de comandante
regional dos Açores entre 2008 e 2014 e agora assume a direção nacional.
Uma escolha que agradou António Santos, do SINAPOL, que recorda a
atuação que o agora diretor nacional da PSP teve na Região. “Durante
os 7 anos em que dirigiu o Comando Regional dos Açores, foi o
responsável pela sua organização e foi impulsionador das relações com o
Governo Regional, tendo celebrado um protocolo ao abrigo do qual o valor
das coimas da PSP Açores é alocado à região, o que tem vindo a colmatar
algumas deficiências”, afirmou, lembrando que Barros Correia é um
“conhecedor” da realidade açoriana, e que “por onde passou revolucionou
para melhor, pelo menos do que temos vindo a saber, no que diz respeito à
operacionalidade da PSP”.Mas para poder resolver alguns dos
problemas que afetam a atuação da polícia na Região, António Santos
reitera que terá de haver um “forte investimento” da República.“Se o
governo central não olhar de outra forma, haverá uma dificuldade
acrescida do Diretor Nacional, por muita vontade e experiência que
tenha. Mesmo com o diálogo que mantém e sempre manteve com os
sindicatos, não conseguirá fazer milagres”.Entre as questões que
considera premente resolver, o representante da SINAPOL sinaliza a
necessidade de tornar a profissão mais atrativa, para rejuvenescer a
PSP.“Todos os anos estão a atingir o limite de idade, e as entradas
não conseguem colmatar as saídas. Havendo investimento nos salários e
suplementos e ajudas de custo - que não são atualizados há mais de uma
década - isso facilitará a atuação do diretor nacional”.António
Santos, que pretende estar na audiência que a SINAPOL solicitou com
Barros Correia, acredita que com a sensibilidade para a Região do novo
diretor nacional, “estou convicto que algo poderá melhorar na PSP na
Região”.Para Paulo Pires, da ASPP-PSP, destaca o profundo
conhecimento da instituição que Barros Correia tem, o que poderá ser um
importante aliado na função. “É um oficial conhecedor profundo da
polícia, sabe os meios em que pisa, conhece muito bem a instituição PSP,
em particular o Comando Regional dos Açores e a Região Autónoma dos
Açores. Muitas vezes, alguns diretores nacionais não conhecem o terreno,
mas o Barros Correia tem noção da dispersão geográfica e das
dificuldades que nós temos”.Contudo, “ser bom diretor nacional ou não”, diz, dependerá “das condições políticas que lhes vão dar”. O
sindicalista reconhece a capacidade de diálogo do novo diretor nacional
e aponta a falta de efetivos na Região como um dos grandes problemas
que gostaria de ver atendido no imediato.“Embora o comandante
regional dos Açores e o Ministro da Administração Interna continuem a
dizer que não, há falta de efetivos e por isso é que a esquadra
principal do Comando Regional Açores fecha ao sábado e ao domingo, só
com um elemento no seu interior. E noutras ilhas, os efetivos quando vão
a uma ocorrência fecham a esquadra”.