Sindicatos alertam para sentimento de insegurança de polícias na Região

Hoje 11:12 — Filipe Torres

A criminalidade nos Açores registou a maior descida do país em 2025, mas o representante da ASPP/PSP na Região, Paulo Pires, alerta que esta tendência resulta, em grande parte, do esforço dos polícias, um trabalho que, segundo afirma, continua a ser pouco reconhecido, salientando ainda que os açorianos sempre foram um povo passivo.De acordo com o dirigente sindical, a redução dos indicadores criminais não é surpreendente, mas não pode ser analisada de forma isolada, acrescentando que os profissionais no terreno se encontram “saturados” e a trabalhar, muitas vezes, com sentimento de insegurança.A principal preocupação prende-se com a escassez de recursos humanos. Segundo Paulo Pires, situações operacionais que exigiriam três ou quatro agentes estão, frequentemente, a ser asseguradas por apenas dois, colocando em causa a segurança dos próprios polícias.O dirigente aponta ainda para a necessidade de reforço efetivo dos quadros. No ano passado, terão sido solicitados cerca de 80 novos agentes para a região, mas apenas 20 foram colocados.Outra preocupação prende-se com o funcionamento das esquadras. O dirigente considera “um mau cartão de visita” o facto de a esquadra de Ponta Delgada encerrar portas ao público às 17h00 à sexta-feira e reabrir na segunda-feira de manhã, obrigando os cidadãos a recorrer à campainha para serem atendidos.Para o sindicalista, a ideia de que os Açores e Portugal são regiões seguras deve ser acompanhada por condições reais no terreno. “Não basta dizer que os Açores e Portugal são uma região segura, temos de proporcionar segurança efetiva para que isso aconteça”, defende.SINAPOL alerta para “cortina de fumo” nos dadosO SINAPOL-Açores manifestou “profunda preocupação” com a interpretação da descida da criminalidade na Região, divulgada no RASI, considerando que os números não refletem a realidade vivida no terreno.Em comunicado, o sindicato defende que o otimismo associado aos dados ignora o sentimento de insegurança da população e as dificuldades sentidas pelos polícias nas esquadras.Segundo o SINAPOL, a redução de alguns indicadores pode estar ligada à falta de meios humanos, que limita a fiscalização e a capacidade de detetar e registar crimes.“Uma descida estatística assente na ausência de polícias é uma vitória ilusória”, alerta, sublinhando o risco de perda de autoridade no terreno.O sindicato teme ainda que estes dados justifiquem cortes no investimento e apela ao cumprimento rigoroso do Artigo 150.º do Orçamento do Estado para 2026, que prevê o reforço de meios para a segurança na Região.