Sindicatos açorianos denunciam “agravamento da exploração” dos trabalhadores
28 de dez. de 2020, 15:00
— Lusa/AO Online
Em comunicado, a
USAH e o Sindicato das Indústrias Transformadoras, Alimentação, Comércio
e Escritórios, Hotelaria e Turismo dos Açores afirmam que “esta
situação pandémica não pode ser usada e instrumentalizada para servir de
pretexto ao agravamento da exploração e para ataque aos direitos dos
trabalhadores, como aconteceu na região”.Os
sindicatos afetos à CGTP denunciam que, “infelizmente, 2020 foi marcado
por despedimentos, de que são particular exemplo os dos trabalhadores
com vínculos precários e trabalhadores em período experimental”.“Foi
marcado pela colocação de trabalhadores em férias forçadas, por
alterações unilaterais dos horários de trabalho, pelo não pagamento de
salários, pelo não pagamento das horas de trabalho extraordinário”, pelo
“corte de prémios e subsídios, pela retirada de pausas de trabalho,
pela imposição da polivalência de funções e pela falta de equipamento de
proteção individual de trabalho”, enumeram.No
seu balanço do ano laboral de 2020 nos Açores, a USAH refere que os
vínculos precários ou temporários se tornaram “a regra geral na
constituição da relação laboral nos Açores”, o que “contribuiu para a
existência de cada vez maior pressão sobre os trabalhadores”.A
esse propósito, a união sindical adianta que “a Inspeção Regional do
Trabalho detetou 827 trabalhadores em situação irregular”.“Este
conjunto de situações não são de todo aceitáveis e não podemos
deixá-las passar em claro, porque, se existiu uma situação de
impedimento de trabalho que não é da responsabilidade dos trabalhadores,
a mesma não pode refletir-se na diminuição do salário e no não
cumprimento da legislação laboral”, defendem os sindicatos.São
ainda elencados vários problemas que as famílias açorianas enfrentam,
como os números “preocupantes” em relação a “graves situações de pobreza
e exclusão social”, numa região onde, “para uma população de 240 mil
pessoas, 80 mil são pobres”.Outras
preocupações são o sobre-endividamento das famílias açorianas e a
desigualdade de rendimento, bem como as condições de segurança e saúde
no trabalho, que, dizem os sindicalistas, “continuam a ser das piores”
do país, e a “discriminação entre homens e mulheres”, que é “comprovada
pela precariedade laboral, pela diferença salarial e pela estagnação
feminina de progressão na carreira profissional”.A
estrutura sindical da CGTP pede ainda uma maior aposta na qualificação e
formação profissional, que “tem de ser uma prioridade e não uma mera
opção”.