Sindicato volta a reivindicar aumento do acréscimo ao salário mínimo nos Açores
Hoje 15:17
— Lusa/AO Online
“Os baixos salários são um
flagelo que urge reverter, um problema cuja resolução não pode
continuar a ser adiada. O SITACEHTT/Açores vem, mais uma vez,
reivindicar o aumento do valor do acréscimo regional ao salário mínimo
nacional de 5% para 10%”, afirmou o coordenador do sindicato, Vítor
Silva, numa conferência de imprensa, em Angra do Heroísmo, na ilha
Terceira.Nos Açores, o salário mínimo nacional, fixado em 920 euros, tem um acréscimo de 5%, situando-se nos 966 euros.O sindicato defende que esse acréscimo aumente de 5 para 10%, o que se traduziria num salário mínimo regional de 1.012 euros.Desde 2011 que o SITACEHTT/Açores reivindica um aumento do acréscimo ao salário mínimo nacional, primeiro em 7,5%, agora em 10%.Já
foram entregues várias petições e a Assembleia Legislativa dos Açores
chegou mesmo a discutir iniciativas legislativas, mas foram sempre
rejeitadas.O dirigente sindical
mostrou-se, no entanto, confiante de que o aumento será implementado,
mesmo que numa percentagem inferior à reivindicada.“Há
alguns partidos que têm evoluído nesta matéria. Como diz o ditado, água
mole em pedra dura, tanto bate até que fura. E nós acreditamos que a
via política, mais cedo ou mais tarde, irá dar-nos razão e irá corrigir
esta situação”, apontou.Vítor Silva
lembrou que o acréscimo ao salário mínimo não sofre alterações desde que
foi criado há mais de 20 anos e sublinhou que o valor praticado na
Madeira (980 euros) já é superior ao dos Açores.“Se
nós formos ver o preâmbulo do diploma que criou este acréscimo ao
salário mínimo, os motivos, hoje em dia, mantêm-se, ou se calhar ainda
são mais evidentes do que eram na altura. É preciso que haja também
coragem política por parte dos senhores deputados da Assembleia
Legislativa regional para corrigir esta situação”, vincou.Questionado
sobre a contestação do tecido empresarial, o dirigente sindical alegou
que nos Açores os trabalhadores recebem, em média, menos 100 euros do
que no resto do país.“Os contratos e a
negociação coletiva a nível nacional têm melhores vencimentos. Se
houvesse uma aproximação das tabelas regionais às tabelas nacionais, se
calhar nós não estaríamos a optar por esta via, preferíamos a via
negocial”, salientou.A petição, que será
entregue no dia 14 de maio, na Assembleia Legislativa dos Açores, conta
com “mais de 2.000 assinaturas” e o sindicalista garante que vai
“continuar a insistir”, enquanto não houver um aumento do acréscimo.“Estas
petições contam sempre com um número muito significativo de
trabalhadores, o que quer dizer que as pessoas também se reveem nesta
petição. E, enquanto os trabalhadores açorianos entenderem que esta é
uma forma de luta, nós, enquanto sindicato, temos a obrigação de dar a
voz a estas pessoas”, referiu.Para Vítor
Silva, o aumento do salário mínimo teria “um impacto em toda a tabela
salarial” e contribuiria para combater a pobreza, porque há “muitos
trabalhadores, que, mesmo tendo um posto de trabalho efetivo, vivem
abaixo do limiar da pobreza”.“O poder
político não pode deixar que os açorianos continuem a empobrecer a
trabalhar. Não é digno que uma pessoa empobreça a trabalhar”, alertou.Por
outro lado, segundo o sindicalista, o aumento de salários permitiria
fixar população nos Açores, numa altura em que a região tem um problema
demográfico.“Se nós queremos atrair
mão-de-obra, se queremos que outras pessoas venham trabalhar para a
nossa região, temos de ter melhores condições do que outros lugares. E,
portanto, aumentar os salários é uma forma de atrair esta mão-de-obra”,
sublinhou.