Sindicato vai impugnar despedimento de técnicos do INEM durante formação
1 de set. de 2025, 17:29
— Lusa/AO Online
Em
declarações à Lusa, o presidente do STEPH, Rui Lázaro, disse que
compreendeu a decisão judicial, porque a “juíza não consegue datar uma
data de despedimento para todos [os técnicos] por igual”. “A
decisão é do departamento jurídico [do sindicato]. Passa por impugnar o
despedimento diretamente, tendo em conta esta incongruência da forma
como o INEM [Instituto Nacional de Emergência Médica] tem vindo, nalguns
casos, a notificar formalmente os técnicos da cessação de contrato, e
noutros, ainda nem sequer foram notificados da cessação de contrato”,
explicou.Rui Lázaro sustentou que os
técnicos de emergência médica “foram despedidos de forma diferente”: uns
verbalmente e outros formalmente. “A
juíza, não conseguindo datar a cessação, não aceitou a providência
cautelar, o que é compreensível. Portanto, avançaremos com a impugnação
do despedimento”, frisou. Em causa estão
seis técnicos que reprovaram num dos módulos de formação do curso para
técnico de emergência do INEM, tendo sido demitidos pelo organismo.Segundo
o sindicato, a demissão foi ilegal, uma vez que aconteceu já fora do
prazo legal para o efeito, já depois de terminado o período
experimental.O dirigente sindical afirmou
ainda que o INEM “tem prestado uma informação errada” ao Instituto da
Segurança Social (ISS), denunciando casos que estão sem acesso ao
subsídio de desemprego. “Coloca sérias
dificuldades financeiras a estes técnicos e a estas famílias. Em alguns
casos, o INEM ainda não prestou nenhuma informação à Segurança Social”,
lamentou, acrescentando que o sindicato já abordou o presidente do INEM,
Sérgio Janeiro, sobre a situação.Sérgio
Janeiro, segundo o STEPH, disse que “acatará a decisão dos tribunais” e
que a readmissão dos profissionais “não será um problema”.À
Lusa, um dos técnicos visados, que não quis ser identificado, indicou
que soube por ‘email’, no final de julho, que estava desvinculado do
INEM. “A partir daí nunca disseram mais
nada. Nem água vem, nem água vai, nem papel para o fundo de desemprego.
Eu tenho uma advogada a tratar do assunto, mas nem a ela respondem”,
adiantou. Sem receber subsídio de
desemprego e sem conseguir encontrar trabalho, o técnico de emergência
pré-hospitalar está há “um mês sem rendimentos”.“[Estou]
sem nada. Sem nada. Tenho ajudas da família (…) e pouco mais. Isto não
pode continuar assim”, salientou, lembrando que “ainda falta pagar
subsídio de férias, subsídio de Natal e férias não gozadas”.Questionada sobre a possibilidade de ser reintegrada no INEM por decisão judicial, a fonte mostrou-se desmotivada e com dúvidas.“Era
um objetivo de vida que tinha, mas, depois desta panóplia de coisas que
tem acontecido, não sei. Muito sinceramente não sei. Já estou a pensar
duas vezes se hei de continuar ou não”, precisou.Além
dos seis casos, de associados do sindicato, o curso de formação do INEM
que se iniciou em abril foi alvo de dezenas de denúncias de formandos
sobre alegadas irregularidades e discrepâncias nos métodos avaliativos,
nomeadamente entre delegações, com critérios distintos entre formações
em Lisboa ou no Porto, por exemplo.