Sindicato reivindica medidas imediatas de reposição de rendimentos nos Açores
Covid-19
3 de jun. de 2020, 15:02
— Lusa/AO Online
"A grave situação social e económica da Região
reclama a tomada de medidas urgentes, para aliviar o sofrimento dos
trabalhadores e das famílias e relançar o crescimento da economia, em
moldes mais sustentáveis e socialmente mais justos. É imperativo o
equilíbrio entre a componente social e a componente económica e o
Governo Regional tem de ser um justo garante desse equilíbrio”, afirmou o
coordenador do SITACEHT/Açores, Vítor Silva, numa conferência de
imprensa, em Angra do Heroísmo.O sindicato
propõe a atribuição de 100% do vencimento aos trabalhadores que se
encontrem em ‘lay-off’ e a criação de uma prestação mensal
extraordinária para os trabalhadores sem acesso a mecanismos de proteção
social, equivalente ao montante do Indexante de Apoios Sociais (438,81
euros), “prorrogável até à cessação das medidas excecionais e
temporárias de resposta à pandemia”.“Esta
medida iria proteger um conjunto de trabalhadores bastante alargado, ou
seja, todos aqueles que tinham contratos precários, todos aqueles que
estavam a contrato a termo, as domésticas, os trabalhadores
independentes, os falsos recibos verdes, trabalhadores que estão sem
qualquer apoio e alguns deles sem qualquer perspetiva”, frisou o
dirigente sindical, alegando que estão em causa “alguns milhares” de
pessoas.Quanto ao ‘lay-off’, segundo Vítor
Silva, até abril, apenas 5.800 trabalhadores estavam a beneficiar dos
apoios sociais, apesar de os números oficiais apontarem para a aprovação
de cerca de 10.500 pedidos.“Alguns destes
trabalhadores não tinham nem o apoio da Segurança Social, nem o terço
que devia ser pago pelas empresas, o que nos faz ter algum receio, se,
nesta fase, as empresas que nunca pagaram o seu terço até agora vão ter
capacidade de pagar agora três terços”, apontou.Segundo
o coordenador do SITACEHT, os números do desemprego de março e abril
ainda não refletem a realidade, até porque muitos dos trabalhadores
dispensados tinham contratos de curta duração.“A
partir do mês de maio e nos meses seguintes não temos dúvidas de que
vai haver um aumento do número de desempregados”, afirmou, alegando que,
apesar dos apoios existentes, nem todas as empresas terão capacidade
para manter os níveis de emprego.O
sindicalista defendeu que o executivo açoriano tem de “inverter os
apoios” e dar mais atenção aos que estão “mais desprotegidos”.“Tem-se
falado muito em economia, em empresas e em auxílio às empresas e tem-se
esquecido as dificuldades de muitas pessoas nos Açores, alguns deles
trabalhadores, alguns deles que nunca pediram ajuda alimentar e são
obrigados a fazê-lo neste momento”, frisou.O
sindicato propõe ainda o aumento de apoios sociais para idosos e
crianças, o alargamento do subsídio social de desemprego e a criação de
um programa de combate à pobreza.Entre as
medida apresentadas está também o reforço da formação, o estímulo da
produção regional, com apoios destinados a micro, pequenas e médias
empresas, e a reorientação das políticas ativas de emprego, com vista à
criação de emprego estável.Segundo Vítor Silva, estas medidas não serão suficientes, mas são as mais urgentes e têm de ser implementadas “no imediato”.“Estas
pessoas não precisam disto para amanhã, já precisavam disto ontem.
Estes apoios são fundamentais. Há pessoas neste momento que não têm
qualquer rendimento”, sublinhou.