Sindicato regista "boa adesão" em greve parcial da Carris
3 de abr. de 2023, 10:11
— Lusa/AO Online
“Uma
vez que é uma greve às duas primeiras horas de trabalho [de cada
turno], é difícil, para já, contabilizar a adesão. Há trabalhadores que
vão aderindo, outros vão saindo, outros que não cumprem as duas horas.
No entanto, tem havido boa adesão, mais numas estações que noutras”,
disse à Lusa Manuel Leal.A 15 de março, a
Carris anunciou um acordo com quatro sindicatos, em que os
trabalhadores vão ter um aumento salarial de 70 euros, mas de fora ficou
o Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes Rodoviários e Urbanos de
Portugal, ligado à Federação dos Sindicatos dos Transportes e
Comunicações (Fectrans). O STRUP pedia um
aumento salarial na ordem dos 100 euros, assim como um horário diário de
sete horas de trabalho e rendições dos funcionários junto às estações. Perante
a proposta salarial submetida pela administração da transportadora
lisboeta de autocarros e elétricos, decorreu um plenário do sindicato,
no qual cerca de 200 trabalhadores decidiram a marcação de uma greve às
duas primeiras horas e últimas horas (no serviço de cada trabalhador)
durante uma semana.No seu ‘site’, a
empresa dá conta de que, devido à paralisação parcial “de uma das
associações sindicais representantes de alguns trabalhadores da empresa,
podem ocorrer algumas perturbações no serviço regular de transportes,
entre os dias 03 e 07 de abril, nomeadamente ao início da manhã e final
da tarde”. De acordo com a transportadora,
foram decretados serviços mínimos, por deliberação do Tribunal
Arbitral, nomeadamente o funcionamento em 25% do regime normal das
carreiras 703, 708, 735, 736, 738, 742, 744, 751, 755, 758, 760 e 767,
além do funcionamento do serviço especial de pessoas com mobilidade
reduzida, de acordo com os pedidos de transporte.Os
quatro sindicatos que assinaram o acordo com a Carris são o Sindicato
dos Trabalhadores dos Transportes (SITRA), a Associação Sindical dos
Trabalhadores da Carris (ASPTC), o Sindicato Nacional dos Motoristas e
Outros Trabalhadores (SNMOT) e o Sindicato dos Trabalhadores do Setor de
Serviços (SITESE).Aquando do plenário, e
sobre o aumento salarial de 100 euros, Manuel Leal adiantou à Lusa que,
depois da mais recente reunião, realizada em fevereiro, “a administração
não chegou a dar resposta”, mas “assumiu continuar as negociações do
restante clausulado do acordo da empresa”.Segundo
um comunicado do STRUP, “a proposta de 70 euros apresentada pela
administração é insuficiente e não responde àquilo que os trabalhadores
desejam e merecem”, além de os salários não refletirem os “ganhos de
produtividade” da Carris ou o aumento do custo de vida.A
Carris é responsável pelo serviço de transporte público urbano de
superfície de passageiros na cidade de Lisboa, sendo, desde 01 de
fevereiro de 2017, gerida pela Câmara Municipal de Lisboa.