Sindicato quer suspensão da alienação do capital que a elétrica tem na Norma Açores
17 de abr. de 2019, 16:16
— Lusa/AO Online
O primeiro concurso público aberto pelo
Governo dos Açores para a alienação de capital que a Empresa
Eletricidade dos Açores (EDA) detém não registou interessados, pelo que o
executivo estuda um "novo procedimento".Apesar
de seis potenciais investidores terem tido acesso às condições gerais
do concurso, "não foram apresentadas propostas de aquisição por qualquer
um dos interessados", pelo que "se estuda agora um novo procedimento
relativo à alienação da participação financeira detida pela EDA na Norma
Açores", segundo uma nota de imprensa enviada, na altura, à agência
Lusa.O Governo dos Açores, acionista
maioritário do grupo EDA, no âmbito da reestruturação do setor público
empresarial regional (SPER), deliberou proceder à alienação de
participações sociais direta ou indiretamente detidas.A
estrutura sindical, em nota enviada à Lusa, recorda que, na altura, foi
porta-voz de um manifesto dos trabalhadores junto do Governo Regional e
dos grupos parlamentares onde “apelava à resolução rápida sobre o
processo de alienação”, tendo o executivo açoriano, “contrariamente às
expectativas, anunciado um novo procedimento concursal”.Para
o SINDEL, estes acontecimentos “molestam a imagem da empresa,
prejudicando-a gravemente e aos seus colaboradores, que sempre apostaram
no engrandecimento da mesma”.“O SINDEL
tem reservas contra as alienações de empresas com capital público e,
concretamente no caso da Norma Açores, afirmamos que somos claramente
contra a destruição de valor de uma empresa que está no mercado
concorrencial, em prol de interesses não necessariamente empresariais”,
refere-se.O sindicato considera que a
fórmula encontrada para alienar o capital social da Norma Açores “foi de
todo errada e pode ser francamente prejudicial para a região e para
todos os privados” que estão no capital social da EDA e daquela empresa.
Para os responsáveis do SINDEL, a Norma
Açores, não sendo uma empresa detida a 100% pela região, mas apenas
participada indiretamente, “nunca deveria ter de sido envolvida no mesmo
formato de anúncio publico da reestruturação do Setor Público
Empresarial”.Considerando que a Norma “não
é uma empresa deficitária” e possui um capital próprio “superior a três
milhões de euros, tendo apresentado um resultado líquido em 2018 de 356
mil euros”, os trabalhadores “não podem continuar a viver, como viveram
no último ano, num ambiente de incerteza sobre o seu futuro”,
solicitando-se um “ponto final no processo de alienação até à
constituição de um novo Governo Regional.“E,
se a opção for de voltar ao processo de alienação, que o mesmo seja
feito de forma empresarial e não política”, conclui o sindicato.