Sindicato queixa-se de “hostilidade” por parte da Portos dos Açores, empresa nega
29 de jul. de 2020, 15:06
— Lusa/AO Online
"Há uma atitude de
grande hostilidade, nomeadamente para com determinados grupos de
trabalhadores marítimos", lamentou o presidente da direção do SNTAP,
Serafim Gomes, em declarações à agência Lusa, dando como exemplo a
"incerteza" que existe diariamente sobre quem é que vai ter de fazer
trabalho extraordinário.O sindicalista
criticou as chefias diretas desses trabalhadores, dentro da empresa
Portos dos Açores, por acabarem por "manipular arbitrariamente a
distribuição do trabalho"."Causa,
naturalmente, discrepâncias, injustiças e, sobretudo, a incerteza na
vida das pessoas, porque os trabalhadores têm direito à sua vida
familiar e social e acabam, muitas vezes, por não o poderem fazer,
porque não sabem quem é que vai ou não trabalhar, nem quando", referiu
Serafim Gomes.O presidente do Conselho de
Administração da Portos dos Açores, Miguel Costa, mostrou-se
"surpreendido" com as queixas do sindicato, negando a existência de
qualquer clima de hostilidade e sublinhando que a está apenas a cumprir o
acordo de empresa."Todas as escalas são
comunicadas integralmente, de acordo com aquilo que resulta do acordo de
empresa, ou seja, até às 16 horas do dia anterior, ou até ao último dia
útil, se for ao fim de semana", explicou o administrador portuário,
acrescentando que "se isto é hostil, resulta do acordo de empresa,
assinado pelo SNTAP".Miguel Costa recordou
que foram os próprios trabalhadores portuários que sugeriram que a
Portos dos Açores enviasse, por SMS, as escalas de serviço para o dia
seguinte, sugestão que foi aceite pela empresa e que está em vigor desde
então. Apesar disso, o presidente do
SNTAP diz que está a "equacionar" a necessidade de avançar para algumas
formas de luta, por entender que os seus associados não podem continuar a
ser tratados como "estafetas" por parte da entidade patronal."Estamos
a equacionar a necessidade, infelizmente, de termos de avançar para
formas de luta, que poderão passar por uma greve geral ou parcial, ainda
não está estabelecido o que será", adiantou Serafim Gomes.Por seu turno, a Portos dos Açores disse que está disponível para manter o diálogo com o sindicato.