Sindicato processa Ministério da Educação por pagamento incorreto de hora extra
24 de jul. de 2025, 15:24
— Lusa/AO Online
Segundo o coordenador interino do
sindicato, Daniel Martins, “foi à custa do esforço suplementar de uma
classe já cansada, exausta e envelhecida, que se garantiu que os alunos
tivessem aulas”, serviço que não terá sido pago em conformidade com a
lei pelo Instituto de Gestão Financeira da Educação (IGeFE). Em
declarações à Lusa, em Coimbra, ao fim da manhã de hoje, o responsável
salientou que, entre setembro e dezembro de 2024, os professores
realizaram “cerca de 14 mil horas extraordinárias”, mas receberam menos
do que deviam por elas.Um professor em funções públicas tem um horário de 35 horas semanais, divididas em duas componentes: letiva e não letiva. De
acordo com o Estatuto da Carreira do Docente (ECD), para o segundo e
terceiro ciclo do ensino básico e secundário, são estipuladas 22 horas
de aulas, enquanto para o pré-escolar e para o primeiro ciclo são 25. Ou
seja, para calcular o valor da hora letiva, o salário deve ser dividido
por 22 e por 25 horas, de acordo com o ciclo, e não por 35 horas, que
segundo Daniel Martins é o que o IGeFE está a pagar. O
sindicalista explicou que isso representa uma diferença de quase 35% a
menos no pagamento das horas extraordinárias aos professores. Em
2025, os professores podem ter recebido meio milhão de euros a menos
devido a esta divergência, que já está a acontecer há “três ou quatro
anos”, a nível nacional, realçou Daniel Martins. O
sindicato “alertou o Governo várias vezes sobre esta situação” e, após
“mais de um ano e meio” de tentativas junto do Ministério da Educação,
Ciência e Inovação (MECI) e do IGeFE, decidiu interpor, na semana
passada, a ação judicial administrativa. A ação “não é uma reivindicação”, já que “a lei estipula isso e o Governo não o faz”, reforçou. Na
segunda-feira, o MECI reuniu-se com os sindicatos que representam os
professores, para apresentar medidas temporárias a aplicar no ano letivo
2025/2026 para responder ao problema da falta de docentes. Após o encontro, não foi dada nenhuma resposta por parte do MECI à questão do pagamento de horas suplementares.