Sindicato preocupado com "falta de diálogo" com clínicos do Hospital de Ponta Delgada
14 de jul. de 2021, 19:34
— Lusa/AO Online
Num
comunicado enviado à agência Lusa, o SIM refere que os associados do
sindicato manifestaram a “existência de mal-estar dos médicos na relação
com o conselho de administração (CA) do HDES”(Hospital do Divino
Espírito Santo), particularmente “pela falta de diálogo institucional”. "Os
médicos foram unânimes na denúncia de situações muito graves, relativas
quer à forma, quer ao conteúdo da gestão por parte do CA", aponta o
sindicato, na sequência de "uma reunião de esclarecimento sindical",
numa "fase em que se atravessam grandes dificuldades no HDES". O
SIM alega que o conselho de administração da unidade de saúde colocou
"entraves", sob "pretexto da pandemia" de Covid-19, "à realização de
reunião sindical de médicos no local de trabalho, no auditório do HDES,
tal como está previsto na lei"."Resolvemos
adiar por não se encontrarem reunidas as necessárias condições de
igualdade e liberdade e aguardamos que nos sejam enviados os
esclarecimentos relativos às regras de utilização do auditório. É também
de notar que ainda aguardamos resposta do CA relativa a um pedido de
reunião com o SIM endereçado há vários meses e para o qual não recebemos
qualquer retorno", vinca o sindicato. Num
encontro realizado entretanto com os associados, o SIM diz que foram
elencadas "numerosas preocupações", nomeadamente "um ambiente geral de
insatisfação, com uma postura de “quero posso e mando“ e ausência de
diálogo do CA com o corpo clínico".Entre
as preocupações dos associados do SIM está, entre outras, "o
desconhecimento do plano de atividade ou estratégia de ação do CA para
resolver muitos dos graves problemas que o hospital atravessa, pese
embora a exigência do CA dos planos de atividades aos diversos
serviços". Os
associados do SIM denunciaram ainda existir "um desgaste" devido à
"desvalorização do bem-estar e satisfação laboral dos profissionais,
acrescentando que o recente problema informático no hospital "veio
agravar toda esta situação", criando um "caos diário, colocando em risco
a própria segurança dos atos médicos", apontando que "não foram criados
mecanismos que permitissem de forma rápida ultrapassar algumas das
dificuldades".Apontam
também para uma "depreciação das hierarquias clínicas, nomeadamente das
chefias de serviço, exemplificada pela contratação de médicos externos
ao HDES, sem consulta ou concordância dos diretores ou responsáveis dos
respetivos serviços.As
preocupações dos médicos vão ainda para "a falta de recursos humanos",
com "extrema carência de anestesiologistas" no hospital e "dependência
atual de especialistas externos, cuja colaboração se reveste de
intrínseca imprevisibilidade".Na
resposta, o conselho de administração do Hospital de Ponta Delgada
afirma que “não é verdade que exista um “ambiente geral de insatisfação”
na instituição com "mais de 2000 trabalhadores", ou “ausência de
diálogo do CA com o corpo clínico”.O
conselho de administração garantiu à Lusa que "não recusa, jamais,
qualquer pedido de reunião de qualquer entidade", estando disponível
"como sempre" para "reunir com uma delegação de qualquer sindicato",
nomeadamente do SIM, vincando que "nunca foram colocados entraves" à
realização da reunião sindical no hospital. "Parte
do plano deste CA é conhecido, assim como a sua estratégia de ação.
Muitos dos graves problemas que o HDES enfrenta são crónicos, e este CA
tem o propósito de os resolver, a todos", lê-se também numa nota enviada
à Lusa. O
conselho de administração sublinha que a unidade de saúde açoriana segue
"a estratégia regional" de "melhorar a quantidade da prestação de
serviços aos utentes açorianos no mais curto espaço de tempo".Contudo, alertam, "o número de médicos especialistas na Região continua a não poder ser resolvido com uma varinha mágica"."As
listas de espera em cirurgia são uma prioridade e têm de ser resolvidas
com alguma celeridade", assegura o conselho de administração, que diz
estar "a desenvolver uma série de protocolos com entidades nacionais de
elevada reputação" para ajudar “na recuperação de Tempos Máximos de
Espera Garantidos". Segundo
o Hospital de Ponta Delgada, "os primeiros sinais já se fizeram sentir,
com algumas cirurgias de cirurgia plástica, e consultas na área da
Oftalmologia e Otorrino".Na
próxima semana, começam cirurgias extra em Otorrinolaringologia, a que
se seguirão as de Oftalmologia, através de protocolo já em vigor.
Estas especialidades são de primeira e terceira em importância nas
listas de espera cirúrgicas, com mais de 4 mil utentes, o que constitui
um valor impossível de resolver apenas organicamente", salienta o
hospital.