Sindicato pede valorizações salariais para docentes da Universidade dos Açores
18 de dez. de 2018, 16:43
— Lusa/AO Online
O
coordenador das comissões sindicais da Universidade dos Açores, Mário
Viana, reivindicou, em conferência de imprensa no polo de Ponta
Delgada da Universidade dos Açores, as valorizações remuneratórias que
"são devidas como resultado efetivo da avaliação de desempenho e estão
previstas na lei do Orçamento do Estado de 2018”.Esta
é uma das exigências que as forças sindicais vêm a manifestar desde 23
de março, tendo sido, também, apresentada numa reunião com o Conselho
Geral da Universidade dos Açores que aconteceu em 16 de novembro.Álvaro
Borralho, presidente do Conselho Nacional do SNESUP e membro das
comissões sindicais da UAc, adiantou que as valorizações salariais, que
são devidas desde janeiro, ainda não foram pagas e que vai “reclamar
juros de mora”, além dos retroativos previstos na lei.Os
docentes lamentam “uma gestão em que os docentes e investigadores da
Universidade dos Açores estão em último lugar”, apontando o investimento
“noutros campos”, como o “alargamento dos lugares de chefia na
reitoria, sobredimensionada em relação à dimensão da instituição e a
contratação externa de diretores de serviços”, e afirmam que “só os
custos com a contratação externa dos diretores de serviços seriam,
provavelmente, suficientes para o pagamento das valorizações
remuneratórias”, explicou Mário Viana.Em
causa está, também, a “desvalorização da ciência, da docência e da
investigação" da universidade da região, acusam os delegados sindicais,
denunciando que “os docentes de carreira da Universidade dos Açores
suportam ininterruptamente, desde 2010, excessivas cargas horárias, que
ultrapassam o estabelecido no ECDU, situação agravada pela recusa de
concessão de licenças sabáticas”, que dizem ser a causa de “uma
estagnação na progressão na carreira”.Álvaro
Borralho considera que “há um objetivo claro da universidade”, que não
concede licenças sabáticas para que os docentes não tenham “condições de
progredir na carreira”, já que essa progressão deverá ser acompanhada
por um aumento salarial, e denuncia que “a maior parte” dos docentes da
Universidade dos Açores são professores auxiliares.Os
docentes e investigadores defendem que as “consequências produzidas por
sucessivas políticas reitorais” levaram à estagnação das carreiras,
admitindo, no entanto, que “outra parte dos problemas deriva do
incumprimento dos compromissos por parte do Governo da República e,
também, do insuficiente apoio concedido à instituição, nascida no berço
da autonomia, pelo Governo da Região Autónoma dos Açores”.Por isso, exigem “uma postura mais firme e reivindicativa por parte da reitoria junto destas entidades”.Além
disso, os responsáveis planeiam ainda manifestar-se junto à Assembleia
da República, numa ação concertada com o Sindicato Nacional do Ensino
Superior, que ainda não tem data fixada.