Sindicato pede medidas após recluso agredir guarda prisional na cadeia de Angra do Heroísmo
7 de ago. de 2024, 17:59
— Lusa/AO Online
Frederico
Morais, dirigente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional,
relatou à agência Lusa que a situação ocorreu quando um recluso do
estabelecimento prisional de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira,
desobedeceu a ordens para abandonar um piso e agrediu um guarda
prisional.“Um recluso estava a receber
ordens para sair do piso onde estava e onde não devia estar. Foi
confrontando o guarda, até que chegou a um ponto em que lhe mandou com
as mãos no peito e deixou-o com mazelas, todo negro, na zona do peito”,
contou.Ainda segundo Frederico Morais, o
alegado agressor foi posteriormente dominado por outros guardas e
colocado em regime disciplinar.O guarda
prisional que ficou com ferimentos no peito não se deslocou ao hospital,
mas foi assistido na enfermaria da cadeia de Angra do Heroísmo.“O
sindicato apoia-o juridicamente e irá ajudar […] na parte do
processo-crime contra o recluso, porque a informação a exigir o
procedimento criminal já foi feita”, adiantou Frederico Morais.O
presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional disse
ainda à Lusa que esta foi a 23.ª agressão a guardas prisionais registada
este ano no país e a segunda na cadeia de Angra do Heroísmo, que tem
cerca de 250 reclusos.Frederico Morais
considerou a situação “muito preocupante”, adiantando que a direção já
pediu uma reunião de urgência à Subcomissão dos Serviços Prisionais e
será recebida em setembro.“O sindicato
pede uma alteração urgente ao Código de Processo Penal, porque nós,
guardas prisionais, com a farda, somos o Estado, representamos o Estado,
e estar a agredir a farda, estamos a agredir o Estado. Achamos que
[nestas situações] as penas devem ser agravadas e que deve haver uma
aplicação de medidas de suspensão de direitos a reclusos”, disse.O sindicalista considerou ainda que um recluso que agrida um guarda “não pode manter os direitos como se nada acontecesse”.“Achamos que os direitos que eles têm internamente devem ser penalizados”, defendeu.Em
casos desta natureza, explicou, os reclusos “são fechados, normalmente
são isolados da restante população prisional e, depois, passado uns
tempos, alguns ainda vão para regimes de segurança, ficam lá seis meses,
outros nem isso, cumprem um regime disciplinar e depois são colocados
no regime normal outra vez”.“O sindicato
teme que tenha que acontecer uma desgraça para alguém agir e resolver
este problema do flagelo de agressões a guardas prisionais, sem qualquer
controlo, sem qualquer medo de agredir guardas. […] Não é o medo, é as
consequências que podem ter por agredir guardas prisionais”,
acrescentou.Questionada pela Lusa, a
Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) informou que a
situação aconteceu pelas 09:25 de terça-feira, quando “um recluso do
Estabelecimento Prisional de Angra do Heroísmo incumpriu com ordens
dadas por elementos da guarda prisional que, para se fazer obedecer,
tiveram que fazer uso de meios coercivos”.“O recluso resistiu à imobilização, tendo dessa resistência resultado lesões nos guardas intervenientes”, acrescentou.Ainda
de acordo com a DGRSP, “os dois elementos da vigilância e o recluso
foram observados pela enfermeira de serviço no Estabelecimento
Prisional, não havendo registo de necessidade de outra assistência
médica e/ou hospitalar”.“Como decorre do legalmente previsto, foram instaurados os competentes processos de inquérito e disciplinar”, indicou.